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Sesc São José recebe exposição da ativista e artista plástica Claudia Andujar

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 2 min
Ritual. São verdadeiros negociadores do invisível, dedicados a domar as entidades e as forças que movem a ordem cronológica
Ritual. São verdadeiros negociadores do invisível, dedicados a domar as entidades e as forças que movem a ordem cronológica

O encontro entre pessoas de diferentes culturas, ao longo da história, nem sempre culminou em troca de saberes... A intolerância e o medo do desconhecido têm produzido inúmeras cenas de violência, que determinaram verdadeiros extermínios.

Por outro lado, sempre haverá aqueles que se identificam e se solidarizam com a causa do outro, que luta pelo direito de viver como e onde bem entender. Esse é o caso da ativista Claudia Andujar, nascida na Suíça, mas que durante a infância e adolescência morou em diversos locais, fugindo da perseguição nazista. No Brasil, ela abraçou a cultura Yanomami, na Amazônia, e esteve próxima do povo indígena entre 1971 e 2002.

Mais: além de lutas pelos direitos dos índios, ela ainda usou a sua arte para estimular reflexões e diálogos sobre a preservação daquele povo e o convívio com as diferenças.

Ao longo dos mais de 20 anos em que esteve envolvida com os Yanomami, Claudia produziu algumas das mais belas imagens do seu extenso portfólio fotográfico. E são algumas de suas obras que podem ser vistas no Sesc São José, até o dia 17 de junho, na exposição "Sonhos Yanomami".

DIREITOS.

É a primeira vez que a artista expõe seus trabalhos na região e que realiza uma exposição individual no Sesc-SP.

"Na mostra, Claudia apresenta para a sociedade sensações e conceitos dos rituais xamânicos. Para montar essa mostra, utilizamos três séries da artista: 'Sonhos Yanomami', 'Reahu' e 'O Invisível', com ênfase em 'Sonhos', por ela nunca ter sido exposta no país", afirmou Renata Mesquita, técnica de programação do Sesc São José.

Em nota, a artista afirmou considerar seu trabalho fotográfico junto aos Yanomami como um "work in progress" (trabalho contínuo). "Ele tomou várias formas: em alguns casos se materializou em fotografia e em outros como envolvimento e luta pelos direitos e pela cultura Yanomami", escreveu.

Intangível.

O resultado do trabalho de Claudia vai além da simples fotografia em que o visitante se posiciona como "voyer". Ela recria numa processo de montagem e sobreposição um universo onírico.

"A síntese das composições, os intensos contrastes entre claro e escuro fazem com que suas imagens deneguem o real à medida em que seu interesse se volta para a busca por captar algo que, muitas vezes, não se deixa ver", analisou a pesquisadora e crítica de arte Carolina Soares.

LUTA.

Em tempo, os Yanomami formam uma sociedade de caçadores-agricultores. Seu território cobre cerca de 192 mil quilômetros quadrados em ambos lados da fronteira Brasil-Venezuela.

Reconhecida por sua relevância em termo de proteção da biodiversidade amazônica, a terra indígena foi homologada por um decreto presidencial em maio de 1992.

Ainda assim, os índios continuam a lutar pelo respeito ao patrimônio, contra a violência indiscriminada e atos de barbarie.

Serviço.

O Sesc fica na av. Ademar de Barros, 999, Jd. São Dimas. Entrada gratuita..

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