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Projeto 'Da Xepa ao Banquete Final' encerra nesta sexta em São José

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 3 min
Xepa
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Um terço dos alimentos produzidos são desperdiçados ou perdidos anualmente no mundo, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Curiosamente, é justamente o mercado da alta gastronomia, cujos pratos oferecidos ao cliente precisam manter um padrão, um dos que mais jogam fora alimentos que poderiam ser tranquilamente consumidos.

Foi de olho nesse "lixo", que a arte-educadora, cozinheira e pesquisadora Viviani Leite criou o projeto "Da Xepa ao Banquete Final - Som e Cozinha Experimental", que terá a última apresentação desta temporada realizada na sexta-feira (23), às 10h30, na praça Afonso Pena, em São José.

Nele, gastronomia com aproveitamento de alimentos e apresentações artísticas se misturam para convidar o público a refletir sobre o desperdício.

"Há seis anos, quando comecei a trabalhar profissionalmente na cozinha, a questão do desperdício me veio muito forte. Eu via muita comida boa jogada fora e que não podia ser doada por conta da legislação. Então, há quatro anos, chamei um amigo, Sérgio, da banda Submarino Quantico, e falei: vamos pegar uns alimentos na xepa (fim de feira), vamos para a praça e, enquanto cozinhamos, vocês fazem um som", afirmou Viviani.

Nascia ali o embrião do projeto que mais tarde, colocado no papel, daria origem ao atual espetáculo, com roteiro, texto, atores e banda, além, claro, de culinária criativa.

Em média são cinco pratos por apresentação, e o "cardápio" só é conhecido dias antes, conforme a equipe recebe os alimentos. "Certa vez recebemos doação de batatas, e as fiz de vários jeitos (um purê diferente, em conserva, grelhada com manteiga...). Eu só sei o que vou cozinhar dias antes da apresentação. Depende do que conseguiremos coletar", afirmou ela, que recolhe de 30 a 40 quilos de alimento.

Tomate, berinjela, chuchu, abobrinha e vagem são alguns dos vegetais que passam pela criatividade da cozinheira. "Uso alguns ingredientes de apoio, como tempero, óleo, manteiga, às vezes, levo farinha de mandioca para uma farofa... Eu vou desenhando isso só depois da coleta".

O que não é consumido ao longo da apresentação, é distribuído gratuitamente para os presentes.

APRENDIZADO.

A confirmação de que aquilo que é desperdiçado poderia alimenta muita gente se revelou logo nas primeiras apresentações da turma.

"Uma senhora veio até nós e entregou um papel onde tinha anotado três receitas. Ela contou que vive das sobras das pessoas. O próprio caderno onde ela escreveu as receitas era usado. Já tinha na folha um texto a lápis, e ela anotou com caneta por cima", lembrou Viviani. "Essa senhora nos contou que, ao ver o espetáculo, ficou com vontade de dividir também algumas de suas receitas. E nos deu um saco com pedaços de coco, que ela ganhou de um box do mercado municipal. Em uma das receitas, havia um bolo para ser feito com aquelas lascas".

Extra.

Como contrapartidas do projeto, a cozinheira passará agora a dar oficinas em escolas. "Quero mostrar que podemos comer, por exemplo, folha de beterraba, de repolho, de brócolis... É possível aproveitar integralmente os alimentos", garante Viviani.

Uma vez que o espetáculo é efêmero, a equipe decidiu levar o projeto adiante com o lançamento de um documentário e um livro, que ficarão prontos em abril deste ano.

Para saber mais sobre o projeto, acesse no Facebook: @xepabanquete.

Em tempo, para assistir a performance é só chegar. A participação é gratuita..

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