A falta de investimentos da General Motors em São José dos Campos está no centro da disputa pelo comando do Sindicato dos Metalúrgicos, cuja eleição será realizada nesta terça e quarta-feira.
Duas chapas concorrem ao comando do maior e mais influente sindicato da RMVale, com cerca de 35 mil trabalhadores em cinco cidades. A disputa não interessa apenas à categoria. O pleito é acompanhado de perto por empresários, políticos e por prefeituras.
O prefeito de São José, Felicio Ramuth (PSDB), é um dos que atuou nos bastidores em apoio, ainda que velado e indireto, ao grupo de oposição. OVALE apurou que ele teve conversas com empresários sobre a situação do sindicato. Ao menos dois desses encontros foram no gabinete.
Em nota oficial, Felicio disse que "sempre caberá aos trabalhadores eleger a chapa de sua preferência". Mas afirmou que a cidade espera "que o setor sindical tenha flexibilidade e modernidade" e com um "olhar de futuro, atento à sustentabilidade das empresas através de um ambiente de negócios equilibrado, sem radicalizações de espécie alguma, separando a política sindical da política partidária".
Embora não admita a ingerência de terceiros, a chapa 2 faz duras críticas ao sindicato.
"Aqui vai se tornar uma cidade devastada. Nenhum investidor vai ser louco de colocar investimento aqui", disse o candidato a presidente Eder de Andrade, o Edão, ligado à CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Weller Gonçalves, 31 anos, candidato a presidente na chapa 1, da CSP-Conlutas, disse que a campanha nas fábricas tem sido "vitoriosa" e com "apoio dos trabalhadores". "Nós temos o melhor e mais completo time para enfrentar a reforma trabalhista. O sindicato é feito para lutar"..