Literatura

Escritor taubateano lança livro com crônicas inéditas de Antônio Maria

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Um leitor da imprensa brasileira da década de 1950 poderia abrir uma página e topar com Rubem Braga no auge do seu doce azedume. Pegar um jornal e se deliciar com a leveza narrativa de Fernando Sabino. Numa revista, encontrar o suave desespero de Paulo Mendes Campos. E bater o olho na prosa daqueles poetas que também esbanjavam seu talento na lauda jornalística, como Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes. Isso apenas para falar dos mais célebres.

O mesmo leitor tinha entre seus favoritos, aliás, um faz-tudo nascido no Recife que, a partir do Rio, espraiava seu imenso talento para o rádio, a nascente TV, a música popular e, claro, a literatura: Antônio Maria.

Em um hipotético cânone do gênero, Maria está, sem favor algum, ao lado dos maiorais. Uma pena que o próprio autor nem sequer desconfiasse disso: não guardava os recortes de seus textos e nunca publicou um livro enquanto esteve correndo para cumprir os prazos das redações.

Esta antologia, concebida e organizada pelo escritor e pesquisador taubateano Guilherme Tauil, ajuda a colocar Antônio Maria nesse panteão dos clássicos da crônica. Em 185 textos, a grande maioria inédita em livro, o leitor de hoje pode fazer uma viagem ao passado — e voltar com a certeza da atualidade de um autor que escrevia com bossa e inteligência singulares. Pois, entre crônicas sobre a noite carioca, os amigos e as agruras de amores reais e impossíveis, descortina-se um outro Maria, pouco entrevisto nas seleções produzidas depois de sua morte: sua origem numa rica família pernambucana que perdeu tudo com a inevitável falência dos engenhos e o preconceito com nordestinos naquele Rio de Janeiro, então capital política e cultural do país.

Matéria subjacente às crônicas, como apresenta Tauil em seu texto de introdução, foi também a questão racial. Único afrodescendente entre os cronistas mais célebres da época, era chamado pejorativamente de “mulato” pelos seus desafetos. Com Vento vadio, título aliás que o próprio Maria aventava para seu primeiro livro (nunca publicado), um dos nossos grandes autores está de volta à praça — dessa vez em definitivo.

Talvez com a mesma mistura de euforia e espanto com que o próprio autor anotou na crônica que abre este volume: “E com vocês, por mais incrível que pareça, Antônio Maria”.

SERVIÇO.

O livro será lançado no dia 8 de novembro, e conta com 496 páginas. Ele já está em pré-venda na opção impressa, por R$ 89,90, ou como e-book, a R$ 54,90, no site da editora Todavia Livros.

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