Pandemia

Governo Bolsonaro dispensa passaporte de vacina e joga a favor do coronavírus

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 3 min
Aeroporto no Rio
Aeroporto no Rio

Amigo do vírus.

De uma coisa o Brasil não pode reclamar. O governo Bolsonaro é especialista em tomar medidas que favorecem o coronavírus.

Atrasou a compra de vacinas o quanto pode, atacou a Coronavac e inibiu campanhas de incentivo ao isolamento social.

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Com todas as suas falas negacionistas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o principal responsável pelo desastre no combate à pandemia no país, segundo aponta o relatório da CPI da Covid.

Mesmo assim, a vacinação pegou no Brasil e a maior parte da população não deu a mínima para as bravatas do presidente e colocou o braço na seringa, como está acostumada há anos.

O efeito foi uma queda acentuada no número de casos confirmados de Covid-19 e especialmente de internações e mortes.

Quando se imaginava que Bolsonaro e seu asseclas pudessem admitir a vitória da vacinação, o presidente impede que se exija o passaporte da vacina no país, xinga governadores que querem fazê-lo e ainda inspira o ministro da Saúde a dizer que é melhor perder a vida do que a liberdade.

FOLIA

O Brasil entra na rota das variantes do coronavírus com a ajuda do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A dois meses da maior festa popular do planeta, o carnaval, o Ministério da Saúde anuncia que não vai exigir passaporte vacinal de viajantes que entrarem no país.

Ao invés disso, obrigará uma quarentena de cinco dias e apresentação de teste contra a Covid-19.

Secretários de saúde dos estados já anteciparam que será impossível fiscalizar a quarentena obrigatória de milhões de turistas. Por sua vez, o teste já é exigido de viajantes. Faltava o passaporte da vacina, como fazem as principais nações do mundo. Menos o Brasil de Bolsonaro.

“Jamais vou exigir o passaporte de vacina de vocês”, disse Bolsonaro à claque costumeira no cercadinho do Palácio do Planalto.

Em 25 de novembro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou notas técnicas recomendando a exigência do comprovante de imunização para entrar no Brasil por via aérea ou terrestre.

Bolsonaro, contudo, afirmou que a exigência de um comprovante vacinal é como uma “coleira” a ser imposta para a sociedade brasileira.

Na mesma linha foi o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, preocupado mais em agradar o chefe do que em combater o vírus.

Ao anunciar que o país não exigirá o passaporte vacinal, Queiroga soltou a pérola: “Melhor perder a vida do que a liberdade”.

A disputa respingou novamente em São Paulo. O governador João Doria (PSDB) chamou Queiroga de “negacionista” e disse que o estado exigirá o passaporte de vacina a partir de 16 de dezembro, mesmo sem a determinação do governo federal.

“O governo de São Paulo pede a implementação imediata da adoção do passaporte vacinal. A medida é validada pelo Comitê Científico. Devemos seguir o que a saúde recomenda, não a ideologia”, disse Doria.

Bolsonaro reagiu à sua maneira diplomática: “Teu estado é o cacete”, disse o presidente sobre a ameaça de Doria de exigir passaporte vacinal em São Paulo.

ÔMICRON

Enquanto isso, a variante ômicron obriga novas restrições na Europa para evitar que a pandemia reacenda com força no continente.

Já são quase 80 países no mundo que identificaram a nova cepa, o que aumenta o grau de incerteza sobre o controle da doença.

Com o mundo em alerta pelas primeiras informações sobre a variante ômicron, identificada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como uma cepa de “preocupação”, diversos países anunciaram medidas restritivas a viajantes vindos de países do sul da África, onde a variante foi identificada. Pelo menos 78 nações já anunciaram bloqueios totais ou parciais.

Em entrevista à BBC Brasil, o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Flávio da Fonseca, disse que os dados disponíveis até o momento sobre a variante ômicron ainda são insuficientes para prever o impacto que terá, mas aponta que ela tem “potencial de disseminação gigantesco”.

“Embora os dados ainda sejam fragmentados, está claro que ela [ômicron] tem potencial de disseminação gigantesco, pelo número alto de mutações e pela rapidez com que já se disseminou”, disse o virologista, que também é professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

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