Chuvas

‘Tivemos sequência com chuva abaixo do normal e agora há chuvas mais fortes’, diz meteorologista

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 3 min
Casa foi atingida por árvore durante temporal em Ubatuba
Casa foi atingida por árvore durante temporal em Ubatuba

Giovanni Dolif, pesquisador do Cemaden e doutor em meteorologia, fala sobre as fortes chuvas doas últimas semanas no Vale e da expectativa para o verão.

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Como avalia as últimas chuvas?

Essas chuvas fortes dos últimos dias são típicas da época, mas um pouco fora do que estamos observando ao longo dos anos. Tivemos sequência com chuva abaixo do normal e agora uma chuva mais típica de décadas anteriores. Estranhamos por causa disso.

Como será o verão?

No verão de 2021/2022, temos combinação de dois elementos que resultaram nisso. O primeiro é uma anomalia de temperrtura no Oceano Pacífico, mas frio do que a média, caracterizado pela ‘La Niña’, que contribui para diminuir a chuva no Sul do país e deixa o Centro-Norte com muita chuva. O Sudeste e o Centroeste ficam numa área de transição da ‘La Niña’, com anos mais chuvosos e outros mais secos, oscilando nas estações.

O que causa os temporais?

Tivemos no final do ano um evento de extremo no sul da Bahia e no norte de Minas Gerais, e choveu menos no Sudeste. Essas chuvas nesse período são organizadas por um fenômeno que é o sistema chamado de Zona de Convergência do Atlântico Sul, faixa de nuvens que provoca muitas chuvas.

Posiciona-se com maior frequência na região Nordeste e com chuvas mais volumosas, e agora ela desceu e pegou Minas, Rio e São Paulo, e temos essa oscilação na zona de convergência, o que causa mais chuvas.

Tínhamos em 2021 o segundo elemento que faz esse combinado dar essa diferença que é a distribuição das temperaturas do Oceano Atlântico, entre o Norte e Sul, que modela a posição em outra Zona de Convergência, a hipertropical. Estamos tendo a combinação desses dois elemntos que estão organizando esses sistemas.

Essa situação é normal?

As chuvas muito fortes localizadas são típicas da época numa região favorável a chuvas. Em alguns pontos tem a formação de nuvens mais carregadas do que nas redondezas, o que acaba despejando grandes volumes de chuvas.

Pode ser que atinja outros municípios e isso é típico da estação chuvosa normal, com pontos e chuva forte. Pontualmnente podem ocorrer eventos de chuvas mais fortes.

E para o restante da temporada?

Essa situação deve continuar com pancadas de chuva típicas da época e pontualmente com chuvas intensas, causando impactos como alagamentos ou em outras áreas também.

Como ficam as cidades?

Rios menores eventualmente trasbordam. Temos cidades com áreas de risco de deslizamento de terra, na Serra da Mantiqueira ou no Litoral Norte, áreas com risco onde o solo tem grande declividade e, na estação chuvosa, vai absorvendo a chuva e chega uma hora que satura e aí pode haver o movimento de massa, que é o deslizamento de terra.

O Cemaden monitora todo o Vale?

O Cemaden passou a monitorar várias outras cidades da região a partir de 16 de junho de 2021. Essas cidades ainda não têm áreas de risco mapeadas e estão sendo monitorados. Na iminência da ocorrência de chuva que possa causar impactos, alertas vão ser emitidos.

Como é feito o alerta?

Depende do tipo de processo natural que vai deflagrar o desastre. Pode ser o atmosférico na formação das chuvas, que forma muito rápido ou as que vão acumulando ao longo de dias, e consegue ter mais tempo para avisar.

Rios menores em áreas de declividade muito acentuada enchem de forma brusca. Rios maiores a gente consegue acompanhar e monitorar com antecedência maior. Solo tem tempo de acumulação de chuva e aumenta o risco. Pode variar de minutos a até dias.

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