Urnas armadas.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) renovou o plantio de dúvidas e o estoque de ataques às eleições brasileiras, sem qualquer prova, e dessa vez acompanhado das Forças Armadas.
Ele quer os militares como espécie de ‘tutores’ do processo eleitoral, avalistas da lisura das urnas eletrônicas. Disse o mandatário: “As Forças Armadas não vão fazer papel de chancelar apenas o processo eleitoral, participar como espectadoras”.
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Apesar da descrença bolsonarista, nenhuma apuração detectou fraudes nas urnas eletrônicas em 25 anos de utilização do equipamento, que foi desenvolvido em São José dos Campos. Pelo contrário. Antes das urnas, as irregularidades se acumulavam na contagem de votos em cédulas de papel.
No entanto, Bolsonaro mantém a dubiez em forma de ‘cortina de fumaça’ para uma suposta articulação que pretenderia fraudar as eleições e evitar a sua reeleição, sem apresentar qualquer prova. Nas entrelinhas, ele quer um papel ativo das Forças Armadas nas eleições.
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Edson Fachin, reagiu aos ataques de Bolsonaro e afirmou, na última quinta-feira (12), que o país terá eleições limpas e que "ninguém e nada interferirá" na Justiça Eleitoral.
Usando um trocadilho para a expressão "Forças Armadas", ele disse que quem cuida das eleições são as "forças desarmadas".
"Quem trata de eleição são forças desarmadas e, portanto, dizem respeito à população civil, que de maneira livre e consciente escolhe seus representantes. Logo, diálogo sim, colaboração sim, mas a palavra final é da Justiça Eleitoral", disse Fachin.
Fachin tem feito um contraponto às tentativas de Bolsonaro de, sem provas, levantar suspeitas sobre a confiabilidade das urnas.
As suspeitas de Bolsonaro levaram militares a enviar ao TSE um conjunto de 88 questões sobre quais medidas seriam tomadas diante de supostas fragilidades no sistema eleitoral. O TSE assegurou a segurança das eleições e rejeitou a maior parte das propostas.
Em abril deste ano, Bolsonaro disse que os militares teriam sugerido uma apuração paralela dos votos feita pelas Forças Armadas.
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Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e ex-presidente do TSE, Luiz Roberto Barroso disse que as Forças Armadas estariam sendo “orientadas” a atacar o processo eleitoral. Em resposta, o Ministério da Defesa classificou a declaração como "irresponsável".
Ex-presidente do TSE, Ayres Britto disse à BBC Brasil que os militares só atuam nas eleições por determinação da Justiça Eleitoral e que não podem atuar como “mentores” do processo eleitoral. "As Forças Armadas não são um poder e nem um ministério. Elas atuam apenas como colaboradores”.
O TSE informou que, desde 2019, as Forças Armadas estão habilitadas a atuar como fiscalizadoras do processo eleitoral, assim como os partidos políticos, Polícia Federal e entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).