O ano de 2022 começa com diversos desafios para o mundo da educação. O primeiro é a volta presencial de todos os alunos da rede pública às escolas, com respeito às regras de segurança sanitária. O segundo, mais especificamente para alunos do Ensino Médio de escolas públicas e privadas, é a aplicação do Novo Ensino Médio.
Entre as principais mudanças, que já precisam ser colocadas em prática, além do aumento da carga horária, existe o desenvolvimento dos Itinerários Formativos (horários nos quais o estudante pode escolher as atividades que deseja desempenhar), para a criação de um Projeto de Vida.
De acordo com o Ministério da Educação, escolas precisam criar projetos e espaços para que os jovens se descubram e reflitam sobre o que desejam desempenhar no futuro, orientando-os em escolhas responsáveis e conscientes para que desenvolvam o seu Projeto de Vida.
No entanto, como auxiliar alunos na criação de um Projeto de Vida eficaz? Conversamos com a psicóloga Lilian Teixeira, Especialista em Psicoterapia e Desenvolvimento Infantojuvenil, atuante na ONG Instituto Bom Aluno do Brasil, que explicou um pouco mais sobre o que é o Projeto de Vida:
“O projeto de vida tem sido foco de interesse de muitas pessoas, pesquisadores e profissionais. Segundo autores da psicologia, o projeto de vida tem um papel central na orientação dos objetivos fundamentais de um indivíduo e, por esta razão, é considerado um componente essencial da identidade e do bem estar individual (Erikson, 1976). Além disso, podemos entender o Projeto de Vida como um processo de planejamento no qual o indivíduo conseguirá esclarecer seus objetivos de vida e priorizar suas ações, de forma que visualize a sua jornada e hierarquize valores, além de entender o que faz sentido para si a partir daquele momento”, para que cada jovem entenda mais sobre si e sobre o papel que deseja desempenhar no mundo.
Em entrevista a OVALE, Lilian Teixeira explicou como escolas podem se preparar para auxiliarem seus alunos a desenvolverem o Projeto de Vida:
“Vale lembrar que devemos englobar todas as esferas de nossa existência, como escolhas profissionais, sonhos e expectativas no âmbito relacional, ações em prol de nossa saúde, espiritualidade, e etc. Neste novo modelo, as escolas poderão ofertar disciplinas eletivas, que não têm critério da obrigatoriedade da participação de todos os alunos, mas novamente, possibilita que o aluno exerça o seu autoconhecimento e autonomia em prol de seu desenvolvimento. As instituições e professores podem oferecer encontros que envolvam, por exemplo: Práticas corporais; Projetos que favoreçam a inovação; Ação ambiental; Comunicação e oratória; Finanças e etc. Estes e outros temas ampliam o repertório técnico e visão de mundo, favorecendo a continuidade de seu desenvolvimento”, explica Lilian Teixeira.
O bom funcionamento dos Itinerários Formativos também é crucial para que os jovens possam se aprofundar em suas áreas de interesse, para isso, a psicóloga explica que escolas podem buscar parcerias com outras instituições, de forma que profissionais de diferentes áreas possam também ministrar aulas e compartilhar conhecimentos, e assim, a escola também possa oferecer recursos além dos disponíveis apenas em sua própria infraestrutura.
O Projeto de Vida está diretamente ligado ao que a sociedade será no futuro, afinal, os jovens de hoje serão os principais agentes do mundo que está por vir e quanto mais desenvolverem o autoconhecimento, melhor saberão enfrentar desafios de sua realidade.