Oficializado pela ONU (Organização das Nações Unidas) desde 1975, o Dia Internacional das Mulheres é uma data que expressa a luta milenar em relação aos privilégios masculinos sobre os femininos. Com o passar dos anos, além da pauta de igualdade social e monetária, o dia ganhou muita força no enfrentamento às ideologias machistas do dia a dia.
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Diferentemente de outras datas comemorativas, o Dia Internacional da Mulher não é baseado em comércio, pois não é um dia criado e/ou potencializado pelo capitalismo, que visa a fomentação do comércio. A data tem um bagagem histórica extensa e suas origens são discutidas até os dias de hoje.
Apesar das origens mais exaltadas nos países estrangeiros e focadas no chamado "1° mundo", o Brasil possui uma longa história de luta feminina pelos direitos de igualdade em relação aos homens, principalmente nas questões trabalhistas, políticas e eleitorais.
O movimento feminista ganhou muito destaque no Brasil durante o final dos anos 70 e durante os anos 80, com a aproximação da queda da Ditadura Militar e o início da redemocratização do país, onde após anos as pessoas poderiam votar diretamente em um líder do Poder Executivo.
Incêndio em Nova Iorque
Muitos acreditam que a celebração vem do dia 8 de março de 1857, onde 129 foram mortas em um incêndio de uma fábrica têxtil em Nova Iorque. No relato, o dono do estabelecimento ateou fogo na própria fábrica para dizimar as funcionárias que, por diversas vezes, entravam em greve e atrapalhavam seus negócios. Mesmo que bastante simbólica, felizmente essa tragédia é falsa.
Um incêndio que matou diversas mulheres de fato ocorreu em Nova Iorque, na fábrica de roupas Triangle Shirtwaist, mas em 25 de março de 1911. Esse caso vitimou 146 pessoas, sendo 125 mulheres e 21 homens. O fogo não foi criminoso, e sim um "acidente", mas foi potencializado pelas péssimas condições trabalhistas. Os funcionários eram trancados em salas repletas de tecidos, impedindo com que greves fossem realizadas.
Como pode-se imaginar, o aglomerado de tecido serviu como um intenso foco de incêndio.
Apesar de não ter sido registrada no dia 8, a data ajudou a fortalecer o mês de março como um mês importante para a história do empoderamento feminino estadunidense e, mais tarde, mundial, já que a época entre guerras foi importante para a ascensão feminista, mediante à maior inclusão das mulheres no mercado de trabalho.
Revolução Russa
Como citado anteriormente, o período entre as grandes Guerras Mundiais fizeram com que, cada vez mais, as mulheres garantissem seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade, fazendo com que as reinvindicações salariais e de direitos gerais fossem intensificados. O movimento foi registrado com maior fulgor na Europa e nos Estados Unidos.
Nestes tempos de fúria do proletário, junto do feminismo, houve uma ascensão muito notória de atos extremistas de esquerda, tais como o comunismo e até mesmo o anarquismo.
O maior dos registros pode ser observado na Rússia, mais especificamente na Rússia de 1917, onde o país vivia sua revolução. A Revolução Russa foi um período que iniciou um movimento que derrubou a longínqua monarquia czarista. A tomada do poder foi realizada pelo chamado Partido Bolchevique, liderado por Vladimir Lênin.
Recém-industrializada e sofrendo com a 1ª Guerra Mundial, a Rússia, agora com poucos passos de distância para se tornar a União Soviética, tinha uma massa de operários e camponeses muito expressiva.
Nesse clima de agitação revolucionária, diversas trabalhadoras de uma indústria metalúrgica fizeram uma greve no dia 8 de março do mesmo ano, pedindo por paz, para que o país saísse da guerra e por melhores condições de vida, entrando para a história como uma das greves mais simbólicas de todos os tempos. O movimento ficou conhecido como movimento do 'Pão e Paz'.
Acredita-se que tal manifestação feminina tenha sido uma das mais importantes, ou até mesmo o pontapé inicial, da revolução trabalhista na Rússia.