Violência contra a Mulher

Morte de mulheres cresce 46% no Vale nos últimos 3 anos e desafia segurança pública

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 2 min
Violência contra a mulher
Violência contra a mulher

Mulher é morta pelo próprio companheiro dentro de casa.

A frase acima vem se tornando cada vez mais comum nas manchetes policiais no Vale do Paraíba, infelizmente.

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Entre 2015 e 2021, 37 mulheres morreram na região em casos de feminicídio, no qual a vítima é morta pela condição de ser mulher. Dá quase uma morte de mulher a cada dois meses. Os dados fazem parte do portal da transparência da SSP.

O ano mais violento da série histórica da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) foi 2019, com o registro de 11 mortes de mulheres no Vale como feminicídio.

A boa notícia é que os casos foram caindo para sete em 2020 e quatro no ano passado, mas mesmo assim os casos cresceram no último triênio. Foram 22 casos de feminicídio entre 2019 e 2021 contra 15 no intervalo entre 2015 e 2018, um crescimento de 46%.

Nos demais anos da série histórica da SSP as ocorrências foram em menor número do que em 2019: cinco mortes em 2017, duas em 2016 e apenas uma em 2015.

“Vivemos numa sociedade muito violenta, com aumento dos casos de misoginia, machismo e intolerância. A mulher é a parte mais frágil nessa história. Muitas estão pagando com a vida”, disse Dora Soares, cientista Política e Social e militante feminista.

PERFIL

Mulheres brancas (76%), solteiras (58%) e com o primeiro e o ensino médio completos (33%) compõem o perfil mais comum das vítimas de feminicídio na região entre 2015 e 2021. As mulheres mortas registradas como pardas foram 18% e as pretas e amarelas, 3%.

Quanto à escolaridade, as vítimas com o ensino fundamental e o ensino médio incompletos foram 13% dos casos.

Quanto ao local do crime, 62% das mortes ocorreram na própria residência da vítima, com a via pública em seguida (22%). Em três casos, o autor do crime se matou em seguida. As casadas foram 27% das vítimas e as mulheres em união estável, 8%.

Em quase todos os casos, a morte foi causada por conflito no relacionamento amoroso, como ciúme, rejeição ao término ou sentimento de posse.

São José dos Campos lidera o número de casos na região, com 10 mortes de mulheres registradas como feminicídio (27%), seguida de Ubatuba (14%), Pindamonhangaba (14%) e Guaratinguetá (8%). Taubaté e Jacareí registraram dois casos de feminicídio cada cidade.

Em todo estado, a SSP registrou 137 feminicídios nos últimos 12 meses, entre fevereiro de 2021 e janeiro de 2022. Os homicídios de mulheres (excluindo os feminicídios) foram 237.

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