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OVALE mergulha nos dados da Covid em São José para revelar conflito com o Estado

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 4 min
Coronavírus
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A guerra dos dados.

O prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth, e o governo João Doria, ambos do PSDB, travaram uma ‘guerra’ nas últimas semanas em torno de números da pandemia do novo coronavírus.

O epicentro ocorreu na última semana de julho, quando o governo manteve a RMVale na fase laranja do Plano São Paulo, sem permitir reabertura.

Felicio se revoltou. Por decreto, ele avançou São José para a fase amarela à revelia da equipe de Doria, e criticou dados usados pelo Estado.

A medida foi suspensa pela Justiça e abriu um flanco de conflito com o governo estadual, gerando artigos exclusivos a OVALE de ambos os lados, com críticas e questionamentos.

Na sexta-feira (7), após conversas de apaziguamento, o Estado avançou a RMVale para a fase amarela, permitindo ampliar a reabertura.

Com a paz aparentemente selada, OVALE mergulhou nos números de São José dos Campos para entender a ‘briga’ do município com o governo estadual, que tem primazia na gestão da pandemia, garantida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A primeira diferença entre os dados do Estado e da cidade é o período de análise dos números da Covid-19. O Comitê de Contingência do Coronavírus mede a evolução dos dados por semana, comparando aos sete dias anteriores.

O período, contudo, é diferente da semana epidemiológica utilizada por São José, conceito usado pela Vigilância Epidemiológica e que vai de domingo a sábado. A 32ª semana epidemiológica termina no sábado (8), começando a 33ª no dia seguinte.

“O Plano São Paulo fugiu do conceito de semana epidemiológica, que é sempre utilizado pela Vigilância”, disse Felicio durante apresentação dos dados das cidade.

Ressaltando que São José faz “testes com critério” para controlar a doença e que adota o isolamento mesmo em casos suspeitos, ele disse que a cidade “segue a ciência”, discurso semelhante ao de Doria.

“Não vamos nos guiar por ações populistas. Respeitamos todos os comitês, mas temos um grande comitê de enfrentamento, com profissionais de várias áreas e até da iniciativa privada, nos ajudando a tomar as ações corretas.”

DATA.

O principal motivo de conflito entre São José e o Estado é a data de casos, óbitos e internações, principais indicadores usados pelo governo para determinar a flexibilização na região. Também é avaliada a estrutura do sistema de saúde.

Segundo o secretário de Saúde de São José, Danilo Stanzani, a cidade utiliza a data de ocorrência de casos, óbitos e internações, e não o dia de registro nos sistemas oficiais, como o e-SUS, do Ministério da Saúde.

Com isso, há diferença na quantidade de casos, mortes e internações registrada pelo município e pelo Estado, o que provocou a principal crítica de São José há duas semanas.

“Na forma como o Estado divulga, sai a data do resultado do exame, contabilizando o óbito na semana errada. Para quem estuda a evolução da epidemia é complicado e equivocado”, disse Stanzani na apresentação.

Felicio foi mais longe e disse que é um “erro gravíssimo” e que está “na hora de consertar”. “Sugiro o Estado fazer o mesmo. Colocar a data de ocorrência do caso ou da morte, e não a do registro”.

Por fim, Stanzani disse que o sistema do Estado considera a passagem de um paciente pela UPA (Unidade de Pronto Atendimento) como uma internação. Caso a pessoa seja transferida para um hospital, esse registro de internação pode ser duplicado.

“É equívoco e problema adicional. Só olhamos de fato as pessoas internadas em hospitais”, afirmou Felicio.

Vinholi defende dados e diz que Estado segue a ciência: 'Não há quebra de braço'

O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, principal ligação do governo com São José dos Campos, tem defendido os dados usados pelo Comitê da Saúde e afirmado que as informações vêm de fontes oficiais, abastecidas pelos municípios. Após a polêmica com São José, ele lembrou que, mesmo com o acumulo de dados apontados pela cidade, o Vale do Paraíba não avançaria de fase, o que só ocorreu na sexta (7).

"Não existe erro do Estado. Eles tiveram problemas para colocar os dados e houve acumulo em dias posteriores. Mesmo assim, identificamos que não teria qualquer tipo de alteração."

Vinholi disse a OVALE, antes do avanço do Vale à fase amarela, que o sistema do Estado é pautado pela ciência, com os dados analisados diariamente. "É questão de saúde pública. Não há quebra de braço"..

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