Na reunião ministerial de 22 de abril que precedeu a queda do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro deixou claro que estava insatisfeito com o sistema oficial de inteligência do Planalto. O incremento orçamentário das áreas responsáveis por esses serviço, recentes movimentos de reorganização de estruturas e ações como as de monitoramento de integrantes de movimentos antifascistas revelam a prioridade dada pelo governo ao tema desde a posse.
Em pouco mais de um ano e meio da administração Bolsonaro, a Presidência da República gastou R$ 161 milhões com ações de inteligência e a segurança institucional do presidente, do vice Hamilton Mourão e de seus familiares. Os pagamentos efetuados em 2019 pela Presidência via GSI (Gabinete de Segurança Institucional) são 68% maiores do que a média anual do que foi gasto nos três anos anteriores à chegada de Bolsonaro ao poder. O órgão, comandado pelo ministro Augusto Heleno, abriga a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que acaba de passar por uma mudança que aumentou o escopo da sua ação.
Em 31 de julho, Bolsonaro criou dentro da Abin uma unidade chamada Centro de Inteligência Nacional. Além de abrigar novos cargos, a nova estrutura terá as seguintes funções: executar atividades de inteligência destinadas "ao enfrentamento de ameaças à segurança e à estabilidade do Estado e da sociedade" e assessorar "os órgãos competentes no que se refere a atividades e políticas de segurança pública e à identificação de ameaças decorrentes de atividades criminosas".