O avanço da pandemia coloca em risco o sistema de saúde do Vale do Paraíba, como mostra estudo do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), de São José dos Campos.
Os pesquisadores revelam que 66% das cidades da Macrometrópole Paulista --região que abrange a RMVale-- não possuem leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), considerados vitais para atender pacientes graves de Covid-19.
Segundo o estudo, os leitos estão concentrados na capital e distribuem-se irregularmente pelas cidades do interior, o que ameaça o enfrentamento do novo coronavírus na região.
A melhor estratégia para enfrentar a pandemia é formada por garantir uma retaguarda de leitos de UTI e de enfermaria, além de equipes treinadas e hospitais equipados.
Na média, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, 20% dos pacientes acometidos pelo coronavírus vão precisar de internação, e 5% deles irão para uma UTI por necessidade de ventilação mecânica. A permanência de um doente grave em UTI pela Covid-19 é de 15 dias, em média.
José Henrique Germann, secretário estadual da Saúde, disse que o governo já conversa com o setor privado para o caso de precisar de leitos de UTI, tanto na capital quanto no interior, região que deve passar por uma onda maior de contaminação daqui a três semanas, segundo estudo da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
“A intenção do governo é de fazer mais parcerias com o setor privado. Estamos conversando por meio das associações que representam os hospitais. E devemos finalizar muito em breve”, afirmou o secretário de Saúde.
POLOS.
O estudo do ITA mostra que falta de leitos de UTI em algumas cidades transforma outras, com melhor estrutura, em polos-regionais, como é o caso de São José dos Campos.
O sistema de saúde da cidade acaba atendendo a demanda interna e a de outras cidades também, o que pode prejudicar o atendimento ao coronavírus dependendo da quantidade de pacientes graves de outros municípios.
“No caso da RMVale, o exemplo mais notório é o do município de São José dos Campos, que deve atrair demandas de municípios vizinhos e também do Litoral Norte”, apontam os pesquisadores.
O estudo é assinado por Wilson Cabral, Demerval Gonçalves, Thiago Ribeiro, Bruna Pavani e Eduardo Moraes Arraut. “A concentração de leitos de UTI para atendimento aos planos de saúde privados é inversamente proporcional ao percentual da população neste segmento. Isso indica demandas claras para negociações de gestores públicos nos estados e municípios em relação à disponibilização de instalações hoje voltadas exclusivamente para atendimento aos planos privados de saúde em todo o país”, concluíram.
Para o médico infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, há a falsa impressão de que a doença está limitada à Região Metropolitana de São Paulo.
“Os dados mostram que o vírus está entrando em todo o interior e no litoral de São Paulo. Por isso a decisão de prorrogar a quarentena, que foi unânime em nosso grupo de especialistas. Estamos convencidos que São Paulo, desde o primeiro momento, adota as melhores decisões possíveis”.