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Tráfico batiza droga de 'Covid' na zona sul de São José

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Droga
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Covid.

Além de denominar a doença que já matou mais de 80 mil pessoas ao redor do mundo, Covid é o nome também de outra grave ameça à saúde em áreas da zona sul de São José dos Campos: o tráfico de drogas.

Quadrilhas voltadas à venda de entorpecentes utilizam o nome da doença provocada pelo novo coronavírus para batizar pinos de cocaína. Uma das 'marcas' é chamada 'Covid-14', em referência à rua onde o grupo mantém a 'biqueira' ou 'loja', como são conhecidos os pontos de comércio de drogas.

A estratégia não é nova. Em São José, criminosos batizam drogas para criar uma 'grife', como por exemplo Bin Laden, Hulk, Hilda Furacão ou Kryptonita, entre outras. 

Em reportagens especiais, OVALE revelou que quadrilhas ligadas ao tráfico possuem até 'franquias' de pontos de venda de droga -- é o caso do PCC (Primeiro Comando da Capital), mais temida facção criminosa do país. Há venda e aluguel de biqueiras, adoção de estratégias de marketing e até escala de horários, auditoria e outras iniciativas comuns no ambiente empresarial.

POLÍCIA.

O delegado seccional de São José dos Campos, José Henrique de Paula Ramos, disse que é comum traficantes aproveitarem “modismos” e “ondas” para dar algum atrativo ao comércio de drogas. Trata-se de uma espécie de marketing.

“É um aproveitamento de uma onda que está forte no momento, e acaba sendo usada”, disse.

Para o delegado, significa acoplar o comércio clandestino a uma determinada imagem vinculada na mídia, como o caso do coronavírus. “Não é raro. Sempre fazem esse tipo de coisa. Ancoragem do produto a determinado fenômeno social”, afirmou Ramos.

Segundo ele, a epidemia do coronavírus causou, até o momento, uma redução nos registros de ocorrências da Polícia Civil, incluindo o tráfico de drogas.

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