A pandemia do novo coronavírus impôs novos hábitos às pessoas no mundo inteiro. Não tem como fugir. Para muitos casais que cumprem quarentena em casa, o desafio é saber conviver 24h durante este período difícil, aceitando as diferenças e tentando um compreender as necessidades do outro. Porém, existe também uma outra situação: como ficam os casais de namorados, que não moram juntos?
A necessidade do isolamento social fez com que muitos não pudessem mais se ver durante um certo tempo. Ou, até mesmo, que possam se ver bem mais raramente. "O isolamento social afastou alguns casais e amigos que trocavam carícias e momentos de intimidade. O melhor a fazer enquanto estão distantes é manter virtualmente a intimidade e o companheirismo", disse a psicóloga Clínica especialista em Medicina sexual, Cris Borges, de São José dos Campos.
Segundo ela, uma dica é pensar que o momento atual é como se fosse um intercâmbio, uma viagem. "Podemos pensar que esse é um momento como um intercâmbio e que em breve estarão juntos novamente", afirma.
Para a especialista, pode até mesmo haver um lado bom com relação a esse momento de distanciamento forçado entre os casais. "Quanto ao clima, esse as vezes fica até mais intenso pois não viver momentos reais acaba acessando a fantasia e o ideal de relação", disse a psicóloga.
VÍNCULOS.
A psicóloga Cris Borges, de São José dos Campos, entende que o atual cenário de distanciamento social por conta da pandemia do novo coronavírus pode trazer novas reflexões para os casais, especialmente para os que não estão conseguindo se ver por conta da situação atual. "Acredito que todas as pessoas pós-isolamento valorizarão mais o contato e o estar junto. A privação social está causando escassez de afeto e as pessoas estão repensando valores e vínculos", explica.
Cris Borges ainda tem uma dica interessante para os casais que tentam manter vivo o sentimento, mesmo longes uns dos outros. "Se respeite, troque intimidade 'virtual' com quem realmente lhe faz sentido, não deixe de expressar o que está sentindo. Use a distância física para conversar e fazer projetos para o pós-pandemia", ressalta.
INCERTEZAS.
A psicóloga comportamental Mariana Cristina Fernandes, também de São José, ressalta as incertezas vividas por esses casais que precisam ficar distantes neste período.
"O momento de isolamento tem sido um desafio para todo mundo, para quem é solteiro, casado, quem namora, principalmente os casais que precisam estar separados por algum motivo. E além da incerteza e insegurança do momento no cenário econômico político, social, enfim, também têm as incertezas e ansiedades, receios que vêm de se manter longe, um do outro".
"Costumo dizer que a presença física de um casal traz um 'quê' de segurança para as duas pessoas. Quando estamos perto de quem a gente ama, a gente se sente mais seguro, embora seja apenas uma sensação. Mas a presença física traz esse conforto. E estamos vivendo um momento em que muitos casais precisam ficar distantes. Então, é comum que a insegurança aumente".
Segundo Mariana, nesse momento, o importante é que os dois lados se coloquem ativos, que se engajem em cuidar das emoções um do outro. "Validar o afeto, dizer que ama, falar que gosta, mostrar em palavras e gestos o que é importante da outra pessoa, o que admira. Isso torna a distância um pouco menor, tranquiliza essa insegurança".
"É um bom momento para fortalecer vínculo", ressalta..