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Fumo cai e atividade física aumenta no Brasil, mas excesso de peso ainda é problema

Por Agência O Globo |
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Cigarro. Projeto está pronto para ser votado na Câmara de S. José
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Os brasileiros fumam cada vez menos e praticam mais atividade física, mas continuam engordando e se alimentando mal. O resultado é que, além da obesidade, doenças como diabetes e hipertensão seguem em alta.

As informações são da pesquisa do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada pelo Ministério da Saúde na noite de sexta-feira (24).

O Vigitel Brasil é uma entrevista telefônica realizada nas 26 capitais e no Distrito Federal desde 2006. Em 2019, foram ouvidas 52.443 pessoas.

A prevalência de diabetes mellitus na população passou de 5,5% em 2006 para 7,4% em 2019, um aumento de 34,5% no período, e chega a 23% em adultos com 65 anos ou mais.

Com relação à hipertensão arterial, em 2006 a prevalência era de 22,6%, passando para 24,5% em 2019. As mulheres apresentaram maior prevalência do que os homens (27,3% contra 21,2%), chegando a 59,3% dos adultos com 65 anos ou mais.

Comorbidades causam preocupação por causa da Covid-19

De acordo com o Ministério da Saúde, "os resultados apresentados para diabetes e hipertensão, particularmente, destacam-se frente à pandemia da Covid-19 no momento. Estudos apontaram para maior risco de agravamento e morte por Covid-19 em pessoas que apresentam condições como diabetes, doenças cardiovasculares, entre elas a hipertensão, além da idade avançada. É importante ressaltar que doenças como hipertensão e diabetes são bastante expressivas em termos de prevalência na população de maneira geral".

Para o clínico-geral da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Paulo Olzon, não há diferenças alarmantes na pesquisa porque as mudanças ocorrem em uma "progressão muito lenta". 

— Quando eu era estudante, professores e alunos fumavam em sala de aula e médicos fumavam enquanto atendiam pacientes. Hoje, isso é impensável. As progressões são lentas, mas hoje sabemos que todos os fatores têm que ser considerados, alimentação, fumo, sedentarismo. Eles vão se somando e podem levar à inflamação crônica, que por sua vez é o primeiro passo para doenças crônicas como diabetes, hipertensão e até câncer. Por isso que os médicos veem o paciente como um todo, junto com os hábitos deles.

Os conhecidos inimigos — excesso de peso, obesidade, consumo de alimentos altamente processados e de álcool — foram mapeados pela pesquisa e seguem a tendência de crescimento.   

A prevalência de excesso de peso aumentou de 2006 a 2019: passou de 42,6% para 55,4% (57,1% entre homens e 53,9% entre mulheres).

Quanto mais idade, mais excesso de peso

O excesso de peso é mais comum com o avanço da idade: prevalência de 30% entre quem tem entre 18 a 24 anos e de 59,8% entre quem tem mais de 65 anos.

Também muda segundo a escolaridade: para as pessoas com até oito anos de escolaridade, a prevalência foi de 61,0% e entre aqueles com 12 anos ou mais, 52,2%. 

A obesidade segue caminho semelhante. A prevalência já aumentou 72% desde o início do monitoramento, passando de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2019, sendo mais rara entre jovens de 18 a 24 anos (8,7%) e comum entre os adultos a partir de 65 anos (20,9%).

Também diminui com a escolaridade: prevalência de 24,2% entre quem tem até oito anos de escolaridade, caindo para 17,2% para aqueles com 12 anos ou mais.

A explicação para as diferenças, a própria pesquisa oferece: a alimentação. O consumo recomendado de frutas e hortaliças (5 porções de frutas e hortaliças em pelo menos 5 dias na semana) aumenta conforme a idade (19% na faixa de 18 a 24 anos e 26,6% nos adultos com 65 anos e mais) e com a escolaridade (19% nos indivíduos com até 8 anos de estudo e 29,5% para aqueles com 12 anos ou mais de estudo).  

Varia também a prevalência de adultos que consumiram cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados, como biscoitos, sorvetes, bolos, cereais matinais, barras de cereais, sopas, macarrão e temperos instantâneos, salgadinhos de pacote, refrescos e refrigerantes no dia anterior à data da pesquisa: 18,2%, sendo maior entre os homens (21,8%) que entre as mulheres (15,1%).

O hábito de consumo também se reflete na faixa etária: 29,3% nos jovens e 8% entre quem tem mais de 65 anos.

Menos adultos inativos

Por outro lado, a atividade física aumentou, mas muito lentamente. Em 2006, a prevalência de adultos inativos era de 15,9%, passando para 13,9%, em 2019.

O percentual de inativos aumenta com a idade — de 12,9% entre os jovens para 31,8% entre quem tem mais de 65 anos — e com a escolaridade — cai de 18% entre quem estudou até 8 anos para 11,7% para quem estudou mais de 12 anos. 

Na última década o Brasil registrou aumento de 29% dos brasileiros que praticam atividade física, como caminhada, natação e dança, regularmente, ou seja, mantem por semana mais de 150 minutos de atividade moderada ou por 75 minutos atividade vigorosa.

Assim, a prevalência de adultos ativos passou de 30,3% em 2009 para 39% no ano passado. Os homens (46,7%) são mais ativos do que as mulheres (32,4%). 

Para o presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Mário Carra, os dados estão "progredindo para pior" e refletem a desigualdade brasileira: 

— Nas classes com mais educação e melhor poder econômico, a atividade física e a alimentação melhoraram. Nas classes mais baixas, não. E o pouco que avançou não se refletiu em saúde — afirma Carra, reforçando que os números se refletem em doenças. — Isso não deveria acontecer porque a obesidade é problemática. No contexto da Covid-19, por exemplo, é o principal fator de comorbidade para os jovens.

Aumenta consumo abusivo de álcool

O consumo abusivo de álcool apresentou alta: em 2006 era de 15,7%, passando para 18,8%, em 2019. É considerado consumo abusivo a ingestão de 5 doses para homens e 4 doses para mulheres em uma única ocasião nos últimos 30 dias anteriores à data da pesquisa. 

A melhor notícia do Vigitel 2019 é a que o número de brasileiros fumantes segue caindo. Em 2019, 9,8% dos brasileiros afirmaram ter o hábito de fumar, enquanto que, em 2006, ano da primeira edição da pesquisa, esse índice era de 15,6%. No período de 13 anos, a queda total foi de 38%.

A prevalência de fumantes é menor nas faixas extremas de idade: entre adultos com 18 a 24 anos (7,9%) e adultos com 65 anos e mais (7,8%). A prevalência do hábito de fumar diminui com o aumento da escolaridade, sendo de 6,7% entre aqueles com mais de 12 anos de estudo. 

O ministério afirma que "o cenário extraordinário em que vivemos com a Covid-19 remete à importância de continuar enfrentando as condições citadas, com investimento contínuo em detecção precoce, tratamento e controle das Doenças Crônicas não Transmissíveis, essenciais para a redução de seus agravos relacionados".

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