O dólar comercial fechou em queda pela segundo dia consecutivo. Nesta quarta, a moeda americana recuou 2,84% frente o real, encerrando os negócios a R$ R$ 5,358. Nesta sessão, o mercado avaliou a queda de 4,8% no PIB americano e a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central local) de manter os juros do país no intervalo entre )% e 0,25% ao ano.
Na Bolsa, o Ibovespa (índice de referência da B3) subiu 2,29%, aos 83,170 pontos, influenciado por empresas ligadas a commodities e pelo comportamento de Wall Street, que também subiu neste pregão na esteira de notícias positivas sobre a produção de um possível medicamento contra a covid-19.
Os números sobre a economia americana dos três primeiros meses do ano representam a primeira contração do indicador desde o primeiro trimestre de 2014.
A economia americana já vinha mostrando de que forma a pandemia de coronavírus estava impactando sua economia. Em um mês, o país registrou mais de 20 milhões de pedidos de seguro-desemprego.
— O PIB americano veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava queda de 4%. Este resultado, por ora, favorece a busca por ativos de risco, por isso observamos dólar em queda — avalia Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.
Ainda nesta quarta, o Fed anunciou que manteria os juros inalterados, citando as "imensas dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos e ao redor do mundo" causadas pela pandemia.
— A agenda americana dominou o mercado hoje. O resultado do PIB e a manutenção dos juros deram certa abertura para a procura de investimentos de risco. Mas, especialmente no dólar, a atenuação dos atritos políticos contribui para que o real consiga apresentar alguma valorização frente o dólar — indica Francisca Brasileiro, sócia da Tag Investimentos.
Petróleo sobeEmbora os números da atividade econômica americana sejam ruins, os índices de Nova York fecharam em alta. O Dow Jones subiu 2,21%. S&P 500 e Nasdaq avançaram, respectivamente, 2,66% e 3,57%. As altas estão relacionadas ao possível progresso em um medicamento contra a covid-19, produzido pelo laboratório americano Gilead Sciences.
O laboratório disse nesta quarta que os resultados preliminares de um teste de coronavírus mostraram que pelo menos 50% dos pacientes tratados com uma dose de 5 dias do remdesivir antiviral melhoraram e mais da metade recebeu alta do hospital em duas semanas. As ações da Gilead subiram 5,68%.
— A Gilead está no radar do mercado por conta de possíveis tratamentos contra a covid-19. O alivio com a produção de um medicamento contribui para a leitura de que a economia americana pode passar por mais processos de abertura — acrescenta Carvalho.
Ainda na agenda internacional, o preço do petróleo segue sem tendência definida. Nesta quarta, os contratos para junho do Brent (negociado na Bolsa de Londres) subiam 11,29% no fechamento do mercado brasileiro, valendo US$ 22,77. Nos EUA, os contratos do WTI para o mesmo vencimento avançaram 25,77%, a US$ 15,52.
Na Bolsa brasileira, o destaque de alta fica por conta das exportadoras. A Vale subiu 4,75%. No primeiro triimestre do ano, a mineradora registrou lucro líquido de US$ 239 milhões. Em igual período de 2019, a empresa teve um prejuízo de US$ 1,64 bilhão.
Na esteira da valorização do petróleo, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) e preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras fecharam com ganhos de, na ordem, 14,29% e 5,51%