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Escritora de Campos do Jordão vence Prêmio Nacional de Literatura

Por Da Redação |
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Daiane Rodrigues, aluna do Instituto Federal e membro da Academia Jovem de Letras de Campos do Jordão
Daiane Rodrigues, aluna do Instituto Federal e membro da Academia Jovem de Letras de Campos do Jordão

A escritora Daiane Rodrigues, membro da Academia Jovem de Letras de Campos do Jordão, conquistou o primeiro lugar no Prêmio Nacional Josemar Guilhermino de Literatura, realizado pelo Sistema Preciso de Comunicação, em Recife (PE).

Concorrendo com autores de diversos pontos do país, a representante da região venceu com a crônica “Sobre Pérolas que Ecoam e Conchas Ocas”.

Este é o segundo prêmio conquistado pela jovem autora jordanense: no ano passado, ela também ficou em primeiro lugar no Prêmio Jovem Escritor Paulista. Na Academia Jovem de Letras, Daiane ocupa a cadeira 33, cujo patrono é Orestes Mario Donato.

A Academia Jovem de Letras, é uma iniciativa pioneira da Academia de Letras de Campos do Jordão, criada pelo seu presidente e Secretário de Cultura Benilson Toniolo. Atualmente a Academia Jovem reúne 70 jovens amantes da literatura com idades entre 12 e 22 anos. 

Abaixo, a obra vencedora:

“Estava cruzando a praça da Concha como faço quase sempre aos sábados.

Era ainda plena manhã e, assim, custava-me dedicar muita atenção as sombras que passavam rapidamente rumo ao trabalho. Como eu, estavam todos mergulhados em um torpor matinal.

A praça é como uma clareira em meio a um bosque, fica ao lado de uma longa passarela ladeada de lojas e shoppings, que se misturam a muitas outras passarelas no centro turístico da cidade. E a Concha Acústica foi enraizada ali com o intento de dar espaço às apresentações artísticas da temporada de inverno.

De relance, distingui uma movimentação diferente, próxima a grande árvore. Havia uma mulher notável, vestido vermelho, na cabeça um chapéu. À sua frente, dois policiais ranzinzas ouviam suas palavras de um tom imponente e quase hostil.

— A praça é do povo! — ela bradou, tinha em mãos um telefone-celular e pronunciava alguns decretos e leis que lá encontrava — “As apresentações e manifestações artísticas de rua podem ser realizadas sem a necessidade de licenciamento ou autorização da prefeitura!”

Enquanto ela sustentava o dedo quase junto ao rosto do policial, pessoas começaram a parar e sair de suas lojas para observar o alvoroço. Os policiais, no entanto, ainda que já estivessem irritadiços, procuravam dialogar de modo ordeiro. Pediam com um forçado equilíbrio que a moça retirasse dali seus quadros e os demais pertences.

Cheguei ao meu destino ainda ouvindo os ecos daquela voz revolta. Da janela, era possível ver a longínqua agitação, que durou algum tempo até se desvanecer pelo egresso da pintora. Mais tarde, tive a chance de escutar, entre os comerciantes, uma conversa sobre o acontecimento.

— Já faz tempo que esse povo está aí chamando a atenção! — dizia um homem sobre os artistas — Isso é ruim pro comércio, deviam tirar todos de lá!

Voltei a olhar pela janela novamente, a praça estava vazia, a Concha estava vazia, e nada se via na praça que não fossem os turistas vazios carregando suas sacolas cheias. Respirei fundo e voltei a trabalhar, um cliente havia entrado.

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