Em pesquisa de intenções de votos divulgada na última quinta-feira, o candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, abriu 15 pontos de vantagem sobre o atual presidente, Donald Trump, do Partido Republicano. Os dados mostram uma tendência real: a pandemia do novo coronavírus, que trouxe milhares de mortes e devastou a economia norte-americana, também coloca em risco a reeleição do atual presidente do país.
Trump, que até o início do ano parecia estar com a reeleição garantida, agora se agarra a um fio de esperança: uma possível criação da vacina para o combate do Covid-19. Na última terça, foi divulgado que os 45 participantes de uma vacina do laboratório Moderna teriam desenvolvidos anticorpos.
"Grande dia no mercado de ações. As coisas estão melhorando. As pessoas estão se sentindo bem sobre terapias e vacinas", disse Trump na oportunidade.
Porém, isso ainda não parece tão concreto, já que as vacinas, embora avançadas, estão em fase de testes.
O que está mais próximo de acontecer é, na verdade, uma segunda onda de contágios no país mais rico do planeta.
E, se isso acontecer, muito consideram que será a 'pá de cal' nas pretensões do republicano em permanecer mais quatro anos no poder.
Se, por um lado, regiões como Nova York, antes epicentro da doença, já chegaram a não registram nenhum caso em alguns dias, outras regiões, como a Flórida, são uma grande preocupação. O estado, para se ter uma ideia, registrou 156 mortos e mais 14 mil novos casos apenas na última quinta-feira.
Já é o novo epicentro da doença no país.
ECONOMIA.
Na semana passada, a Disney abriu os seus parques e voltou a receber público. Com o aumento dos casos, corre até o risco de ter que voltar atrás.
Com a economia se debatendo durante a pandemia e o número de desemprego em alta, Trump viverá dias difíceis até a eleição, que está marcada para o dia 3 de novembro.
No total, o país já contabiliza mais de 3,5 milhões de pessoas contaminadas pelo coronavírus e aproximadamente 140 mil mortes, de acordo com os dados atualizados na última sexta-feira.
Em termos de números, as taxas de pessoas em busca de recolocação no mercado de trabalho assusta: são 50 milhões de desempregados desde o início da pandemia, em março, embora o número de pessoas pedindo seguro-desemprego nos Estados Unidos venha diminuindo.
De acordo com o Departamento de Trabalho, no dia 11 de julho 1,3 milhão de norte-americanos entraram com o pedido, o menor desde março. Ainda assim, é alto, considerando os números absolutos. E, principalmente, nada favoráveis para o momento atual do presidente Donald Trump.
ESCOLAS.
Apesar de não ser uma decisão tomada pelo presidente da República, mas sim pelos distritos escolares, Trump defende abertamente o retorno dos estudantes à aulas, o que também vem causando descontentamento de muitos pais, por conta do risco maior de contaminação pelo novo coronavírus. Ainda existe a recomendação por parte de muitos médicos para que as aulas continuem sendo realizadas à distância.
Isso sem contar a decisão do presidente de expulsar do país os estudantes das universidades que estão sem aula presencial, sob a alegação de que poderiam fazer aulas em seus países de origem, já que acontecem de forma online. Outra decisão que repercutiu mal dentro do país.
AGLOMERAÇÃO.
Embora muitas vezes peça aos moradores do país para ficarem em casa e só saírem quando for essencial, o presidente também minimiza os efeitos da Covid-19 e, de olho na reeleição, já realizou diversos comícios e eventos onde houve aglomeração de pessoas - a maioria sem o uso de máscaras.
O próprio presidente norte-americano sempre aparece publicamente sem a utilização do item de proteção..