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Kalou, Jô e pacotão do Atlético-MG: janela de transferências aberta testa cofres dos clubes

Por Agência O Globo |
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Kalou
Kalou

Foi dada a largada nesta segunda-feira para a janela de transferências internacionais do futebol brasileiro. No período, os clubes poderão registrar na CBF jogadores vindos do exterior. O desfecho é 10 de agosto, data escolhida pelos executivos de futebol da Série A, coincidindo propositalmente com a conclusão da primeira rodada do Brasileirão. O comportamento a partir de agora será uma amostra prática dos efeitos financeiros do coronavírus.

O Atlético-MG aparece como ponto fora da curva em termos de investimento e tem uma lista de jogadores já anunciados para efetuar registro na CBF. Durante a pandemia, time mineiro importou os zagueiros Bueno (Kashima Antlers-JAP) e Junior Alonso (Lille-FRA), além do meio-campista Alan Franco (Independiente del Valle-EQU) e do atacante Keno (Pyramids-EGI). O presidente Sérgio Sette Câmara já avisou: os parceiros comerciais (MRV, principalmente) só querem capitalizar fortalecimento do elenco e não o pagamento de dívidas.

O Corinthians também não vive situação financeira confortável e espera agilizar a documentação do atacante Jô (Nagoya Grampus-JAP), até pensando na estreia no Campeonato Paulista, que será retomado nesta quarta-feira. O Botafogo, em que pese os atrasos salariais, já anunciou o atacante Salomon Kalou (Hertha Berlin-ALE) e o zagueiro Rafael Foster (Ludogorets-ROM) como reforços internacionais.

Segundo números da CBF, a janela do meio de 2019 gerou um investimento dos clubes brasileiros de 28,2 milhões de euros (R$ 172 milhões, na cotação atual). Em termos de volume de negociações, as janelas de junho/julho já costumam ser menos intensas do que as do começo do ano - até pelo espaço de tempo menor. Ano passado, foram 207 transações registradas na CBF no meio do ano, contra 483 de janeiro a abril.

Apesar das negociações já confirmadas, quem milita no mercado da bola prevê, em geral, cautela dos clubes diante do cenário econômico. Até porque a pandemia trouxe queda brusca de arrecadação.

"Eu concordo com a data decidida pela CBF. Não vejo uma tendência em conjunto de tipo de negociação. Vai depender da realidade de cada clube. Mas acho que, no geral, pela situação financeira, os clubes podem optar por empréstimos de jogadores", avalia o executivo de futebol do Fluminense, Paulo Angioni.

O período que começa nesta segunda-feira é a sobra da primeira janela do ano, que terminaria em abril. Cerca de três semanas (de março) foram afetadas diretamente pela pandemia. Como o mercado parou, a Fifa aceitou a realocação.

"São raros os clubes que vão estar importando jogadores. Pode ter alguns em final de contrato. Em outubro, na segunda, pode ser diferente. Já terá passado janela europeia e podem "sobrar" alguns atletas que não tenham se recolocado e podem ser alvo para nós. Pelo momento da pandemia e realidade financeira, não vejo como uma janela com muitas transferências para dentro do Brasil. No meu caso, estou mais preocupado com a janela de saída. Nossa intenção e necessidade é realizar vendas", analisa Rodrigo Caetano, executivo de futebol do Internacional, que participou da reunião com a CBF que definiu o período de transferência.

A janela a qual o dirigente gaúcho se refere está atrelada ao calendário das principais ligas europeias. Na Inglaterra, por exemplo, será de 27 de julho a 16 de outubro. Na Itália, entre 1º de setembro e 5 de outubro. Na Espanha, entre 4 de agosto e 5 de outubro. Portugal, principal destino de jogadores brasileiros, funcionará entre 3 de agosto e 25 de outubro.

A atenção se volta para o reinício das atividades no mercado europeu porque muitos clubes aumentaram a meta de arrecadação com transferências de jogadores. O Palmeiras é um caso. O Corinthians diz ter, até junho, R$ 134 milhões assegurados no exercício de 2020 com venda de direitos econômicos. Mas precisa gerar fluxo de caixa. O Internacional, do próprio Rodrigo Caetano, projeta atualmente um déficit de R$ 42 milhões ao fim do ano. Vender jogador é o que dá para fazer para amenizar os danos aos cofres.

"É uma questão de sobrevivência. Todas as receitas caíram", explica o dirigente colorado.

A reboque, a pandemia trouxe outro problema para o mercado de transferências: a vitrine ficou desativada. Sem competições, sem jogadores à mostra. Pelo menos o Brasileirão começa em 8 de agosto, dando um espaço de quase dois meses para retomada do ritmo e, consequentemente, das boas atuações.

O otimismo quanto às futuras vendas direcionou o encaixe da segunda janela de entrada de jogadores no futebol brasileiro. Mais um efeito da pandemia. O período de importações - que, no planejamento inicial, seria entre junho e julho - foi empurrado para começar em 13 de outubro, indo até 9 de novembro. Ou seja, da 16ª a 20ª rodada do Brasileirão.

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