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Moro diz que sua presença no governo Bolsonaro foi usada como desculpa para demonstrar supostos avanços na agenda anticorrupção

Por Agência O Globo |
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O então ministro da Justiça, Sergio Moro, em solenidade de lançamento da campanha do Projeto Anticrime, em 03/10/2019
O então ministro da Justiça, Sergio Moro, em solenidade de lançamento da campanha do Projeto Anticrime, em 03/10/2019

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou que o governo de Jair Bolsonaro utilizou-se de sua presença dentro da equipe ministerial como desculpa para demonstrar que medidas anticorrupação estariam sendo tomadas dentro do governo. À publicação, Moro deixa claro, no entanto, que pouco foi feito pelo governo nesta direção. A agenda voltada ao combate à corrupção, segundo ele, vem sofrendo reveses desde a eleição de Bolsonaro, em 2018.

Segundo o ex-ministro, faltou vontade política do presidente para passar reformas importantes no Congresso Nacional sobre o tema.

Um dos pontos abordados na entrevista, o contexto em que se deu a saída de Moro do governo, com acusações de tentativa de interferência na Polícia Federal por parte do presidente, ganhou destaque. Segundo o ex-ministro, o presidente desejava ter acesso a documentos de investigações em andamento na corporação.

"Ele mudou o diretor da Polícia Federal sem pedir minha opinião e sem uma boa causa. Não acho que seja possível combater corrupção sem respeitar a lei a autonomia das instituições que investigam e denunciam crimes", disse Moro.

O ex-ministro também comentou a proximidade do presidente com o Centrão, como é chamado o bloco de partidos conhecidos por oferecer apoio em troca de cargos políticos. 

"No início, o governo parecia evitar esse tipo de prática (trocas para garantir apoio), mas hoje em dia eu não tenho certeza disso", concluiu.

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