Um ato virtual em defesa da democracia marcado para a próxima sexta-feira deve reunir os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), José Sarney (MDB), Michel Temer (MDB), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e líderes da oposição, como Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Guilherme Boulos (PSOL).
Organizado pelo ex-tucano Fernando Guimarães, líder do movimento Direitos Já, a manifestação não levantará a bandeira do fora Bolsonaro, mas pretende se contrapor as ameças à democracia geradas por atitudes do governo.
Também são esperadas as participações de governadores, como Eduardo Leite (PSDB), Flávio Dino (PCdoB), Camilo Santana (PT) e Paulo Câmara, de líderes religiosos, sindicalistas e artistas. O ex-presidente Lula (PT) recusou o convite para participar.
O ex-ministro da Justiça Sergio Moro não foi convidado porque, segundo Guimarães, fazia parte até pouco tempo do governo "frente ao qual a sociedade está se mobilizando para garantir a democracia".
"O ato é pela democracia, pela vida e pela proteção social. É evidente que quem ameça hoje a democracia, a vida e a proteção social é um presidente da República que tem forçado o STF e o Congresso a fazerem um permanente uso do sistema de pesos e contra presos", explica Guimarães.
O organizador compara a amplitude do ato com a que foi vista no movimento pelas Diretas em 1984. "O conceito da frente ampla que esse ato apresenta e constrói pertence a todo o Brasil".
Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), foram convidados e não deram resposta, assim como governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O presidente do STF, Dias Toffoli, segundo sua assessoria, deve enviar um vídeo gravado.
Guimarães disse que manifestações a favor do impeachment não está vetadas nas falas que os participantes farão. "Não é essa (impeachment) hoje uma pauta comum. No ato, aqueles que se sentirem à vontade poderão fazer isso (pedir o impeachment)", disse.
O organizador do ato acredita que a permanência de Bolsonaro no cargo até o final de seu mandato, em 2022, depende muito mais do presidente porque caberá a ele seguir os princípios democráticos na condução do governo.
Ex-líder da corrente minoritária do PSDB Esquerda pra Valer, Guimarães foi expulso do partido, segundo ele, de forma sumária, no ano passado depois de organizar uma reunião para montagem do Direitos Já. O movimento já realizou outros dois encontros.