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Dólar fecha em alta, a R$ 5,46, diante do aumento de casos da Covid-19 nos EUA; Bolsas caem

Por Agência O Globo |
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Dólar
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O aumento de casos de pessoas infectadas pela Covid-19 nos Estados Unidos faz com que os investidores fiquem receosos quanto a uma segunda onda da doença, o que explica o dólar comercial ter atingido a máxima de R$ 5,493 nesta sexta. No fechamento dos negócios, a moeda americana subiu 2,34%, valendo R$ 5,46. No fim da manhã, o Banco Central fez um leilão de linha (com compromisso de recompra) no valor de US$ 1,5 bilhão para tentar conter a valorização da divisa dos EUA. Na semana, a alta foi de 2,68%.

No mercado acionário, o dia é de perdas. O Ibovespa (índice de referência da Bolsa de SP) cai 2,43%, aos 93.653 pontos, acompanhando Nova York. Dow Jones e S&P 500 recuam, respectivamente, 2,82% e 2,13%. Nasdaq, 2,21%.

Contribui para a queda de Wall Street a decisão da Microsoft de fechar todas as lojas físicas. Os papéis da empresa têm variação negativa de 1,62%. Já o laboratório californiano Vaxart acumula alta de 300% nos últimos dois dias, após iniciar testes de uma vacina contra a Covid-19 em macacos infectados.

De acordo com registros dos departamentos estaduais americanos de saúde, foram contabilizados cerca de 37 mil novos casos da doença nos EUA, o que levou o país a superar o recorde verificado no primeiro pico da pandemia, em 24 de abril, quando o total atingiu a marca de 36,1 mil casos. No compilado geral, o país já supera a marca de 2,4 milhões de casos, enquanto 124 mil pessoas já morreram das complicações causadas pela Covid-19.

"O número acumula evidências de que a temida segunda onda definitivamente se instalou na maior economia do mundo, que tem novos casos liderados pelos estados da California, Flórida e Texas", escreveram os analistas da Guide Investimentos.

A perspectiva do mercado, caso o número de infecções, é que a retomada econômica vai ficar mais distante do horizonte projetado nas últimas semanas.

"O risco de uma segunda onda permite que a leitura dos investidores seja em relação a uma recuperação mais lenta. Além disso, começa a surgir a perspectiva de que serão necessários mais estímulo fiscal e mais medidas de política monetária para conter os impactos da pandemia na economia", destaca Álvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais.

Na Ásia, o presidente do Banco Central do Japão, Haruhiko Kuroda, disse que os efeitos de uma possível segunda onda da pandemia podem prejudicar a economia japonesa "consideravelmente", sinalizando a prontidão da autoridade monetária para acelerar medidas de estímulo novamente para amortecer os impactos da crise.

"O mercado sabe a magnitude da pandemia, já passou pela primeira onda. Agora, com a possibilidade de uma segunda, o receio volta a fazer parte das decisões dos investidores, que acabam saindo de ativos de risco, como Bolsa, e procurando proteção em dólar", pondera Marcio Loréga, analista da Ativa Investimentos.

IRB em alta

Destoando do comportamento majoritariamente negativo nos mercados, os papéis da resseguradora IRB sobem 6,49%. O que explica este comportamento é que a empresa informou que houve uma fraude de pelo menos R$ 60 milhões em pagamentos de bônus a ex-executivos. A declaração foi bem recebida pelo mercado, conforme indica a coluna Capital.

Diante do cenário mais pessimista quanto ao fim das medidas de isolamento social, exportadoras e aéreas listadas na Bolsa caem.

Os papéis ordinários (ON, com direito a voto) e preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras recuam, respectivamente, 2,06% e 2,01%.

A mineradora Vale opera com perdas de 0,23%.

As ações preferenciais de Azul e Gol recuam, cada 2,12% e 1,88% nesta sessão.

"O cenário penaliza as áreas porque as dívidas delas são em dólar. No caso das exportadoras, a questão é um possível encolhimento do fluxo internacional de comércio. Esses setores são afetados com a possibilidade de uma segunda onda da doença", acrescentou Loréga. 

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