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Salta o número de acidentes domésticos durante a pandemia

Por Bárbara Stephanie Monteiro |
| Tempo de leitura: 3 min
Alerta vermelho
Alerta vermelho

Confinados! Assim tem sido a vida de milhões de pessoas desde o inicio da pandemia. Mas, se por um lado ficar em casa previne a contaminação por Covid-19, por outro, acende um alerta em relação aos acidentes domésticos. Segundo dados da USP (Universidade Federal de São Paulo), 29% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano e 13% caem de forma recorrente - neste período de pandemia e isolamento social, o número chegou a 30%.

Para o diretor da Regional São Paulo da ABTPé (Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé), Danilo Nishikawa, os problemas que têm sido mais frequentes estão ligados a queda de altura (escada, cadeiras, cama) e acidentes por instrumentos perfuro-cortantes (vidro, faca, serra, prego). “É preciso ficar atento. As quedas podem causar lesões simples, como leves entorses do tornozelo, ou fraturas graves da tíbia, fíbula, calcâneo e metatarsos, que necessitem de tratamento cirúrgico. Já os descuidos com o manuseio de instrumentos de cozinha ou de construção podem ocasionar lesões nos tendões, nervos e vasos sanguíneos da mão, levando a consequências graves”, alertou.

Já a médica geriatra da Santa Casa de São José dos Campos, Marcela de Souza Meohas, destaca outras ameaças. “O fogão é um dos grandes precursores de incidentes. São muitas as pessoas que se machucaram ao esquecer o gás ligado ou a panela no fogo”, frisou a médica, que ainda ressaltou a importância de se evitar o uso de tapetes, degraus e chinelos de dedos.

GRUPO DE RISCO.

Crianças, idosos e portadores de necessidades especiais exigem atenção redobrada. No caso do público infantil, com o confinamento, as crianças ficam mais agitadas e passam a explorar novos lugares na casa, colocando-se em risco. “O ambiente se torna o playground, o parque e a quadra de esportes. Com isso, podem ocorrer desde lesões menores e pequenas contusões até fraturas do fêmur, tornozelo, cotovelo, mão e punho. Ficar de olho é a principal medida para protegê -las”, reforçou o presidente da ABTPé, José Antônio Veiga Sanhudo.

Cuidados importantes com esse público incluem a colocação de protetores de quina nos móveis, grades nos berços. Brincadeiras que envolvam corrida e pulos em móveis, camas e sofás - principalmente quando próximas às janelas - devem ser evitadas. Já os idosos, pelo avanço da idade, apresentam fraqueza muscular, piora do equilíbrio e fragilidade óssea, sendo mais suscetíveis a quedas dentro de casa. “É importante evitar objetos pelo chão, isolar pisos escorregadios, manter os ambientes iluminados e não subir em bancos, cadeiras ou escadas”, disse o médico.

ACESSIBILIDADE.

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que 24% da população brasileira é composta por pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Diante desta estatística, garantir praticidade e conforto para o dia a dia desse grupo é proporcionar autonomia e segurança. Cenário que somado a quarentena deu espaço para empresas voltadas para o ramo da acessibilidade - o nicho que movimenta R$ 5,5 bilhões ao ano. Marcelo Costa, CEO da Planeta Acessível, constatou um crescimento de 20% nos últimos três meses.“Vendemos cerca de 300 mil itens e estimamos um faturamento de R$ 22 milhões para 2021”, contou Costa.

Segundo balanço do CEO, entre os itens mais adquiridos estão as barras de apoio, alarme para banheiro, placas de impacto e fechaduras adaptadas. “Há uma procura significativa desses produtos nos Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais”, pontuou.

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