Política

Operação contra Guará Filho acende sinal de alerta no PSDB e no governo Ortiz

Por Julio Codazzi |
| Tempo de leitura: 4 min
O ex-vereador Guará Filho abraça o ex-prefeito Ortiz Junior, ambos do PSDB
O ex-vereador Guará Filho abraça o ex-prefeito Ortiz Junior, ambos do PSDB

A ação realizada pelo Ministério Público nessa quarta-feira (22), que teve o vereador Guará Filho (PSDB) como alvo, acendeu sinal de alerta no governo Ortiz Junior (PSDB) e também no PSDB de Taubaté.

Um dos motivos é que Guará é (ou era) um dos principais nomes cotados para ser o candidato do governo à sucessão de Ortiz.

O outro é que, embora o inquérito do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) esteja em sigilo, o MP informou – sem citar nomes – que a “suposta organização criminosa” era composta também por “pessoas pertencentes aos quadros” não só da Câmara, mas também da Prefeitura.

O temor, segundo fontes do Palácio do Bom Conselho ouvidas pela reportagem nessa quarta-feira (22), é de que a investigação resvale também em nomes da cúpula do governo Ortiz.

O próprio prefeito, por exemplo, encabeçou as negociações para que o Sindicato dos Servidores, à época presidido por Guará, passasse a intermediar os planos de saúde dos servidores da Prefeitura a partir de 2013 – a suposta fraude apontada pelo MP visaria, justamente, desviar dinheiro dos repasses feitos pelo município à entidade.

Outro nome importante do governo que participou ativamente das conversas sobre o convênio é Eduardo Cursino, que à época era secretário de Governo. Ele deixou a Prefeitura em abril e é, ao lado de Guará, o outro mais forte cotado para ser candidato a prefeito pelo PSDB.

Uma fonte ouvida pelo jornal afirmou que a aposta no Palácio do Bom Conselho é de que a investigação do Gaeco não terá impactos judiciais em breve, por se tratar de um assunto complexo, que deve demorar para virar uma denúncia à Justiça. O temor é pelo impacto da operação nas eleições. “Perigo é refletir no governo. O problema nesse momento é mais político que jurídico”, disse a fonte.

DISTANCIAMENTO.

Também chamou a atenção das fontes a mudança de postura do governo Ortiz em relação à operação do MP nessa quarta-feira.

Primeiro, a gestão tucana soltou uma nota curta, afirmando apenas que já havia se posicionado a respeito da questão em outro processo movido pela Promotoria com relação a supostas irregularidades nos repasses feitos pelo município ao sindicato.

Horas depois, o governo Ortiz divulgou uma segunda nota, mais contundente, em que informou já ter até acionado judicialmente o sindicato para cobrar prestação de contas dos valores pagos pela entidade às operadoras de saúde e também a relação dos servidores que contrataram planos de saúde.

A mudança de postura, entre um posicionamento e outro, foi visto nos bastidores como uma tentativa da gestão tucana de se distanciar do caso, transferindo eventual culpa apenas ao sindicato – e consequentemente a Guará Filho, presidente licenciado da entidade desde outubro de 2017.

REPERCUSSÃO.

Ouvido pela reportagem, Guará, que se disse inocente, afirmou acreditar que a operação dessa quarta-feira teve viés “eleitoreiro”. “É uma ação que pode ser fogo amigo ou inimigo, foi uma ação para tentar me prejudicar. Vou provar que não tenho nada de ilícito”, alegou. O vereador disse, no entanto, crer que a investigação não prejudicará sua intenção de ser candidato a prefeito pelo PSDB. “Acho que não prejudica em nada. O [Ortiz] Junior concorreu à eleição [de 2016 com o mandato] cassado. Ele foi e concorreu. Qualquer um tem o direito do contraditório”, argumentou.

Eduardo Cursino disse não ter nenhum temor de que a investigação o atinja ou envolva alguém do governo. “Não tenho receio algum, pois da parte da Prefeitura está absolutamente correto. A Prefeitura cumpre exatamente a lei. Objetivamente, não tem nada contra mim ou contra ninguém da Prefeitura”, afirmou. Cursino disse acreditar que ainda é cedo para avaliar o impacto da operação nas aspirações políticas de Guará. “Acho que a gente não tem ainda dimensão do caso. O partido precisa sentar e conversar sobre isso. Ainda precisamos avaliar isso. Na verdade, todo mundo foi pego de surpresa”. O ex-secretário negou também que a operação tenha motivado a exclusão, de suas redes sociais, de uma foto ao lado de Guará. Publicada no dia 23 de junho, a foto foi apagada por Cursino, que é padrinho político de Guará – ele presidia o PL e convidou o então presidente do sindicato para ser candidato a vereador pelo partido em 2016. “Não foi hoje [quarta-feira] que eu apaguei [a foto]. É que pegou mal o fato de estarmos sem máscara. Até minha filha me cobrou. Acabei tirando. Eu e ele [Guará] temos relação de amizade, [o fato de a foto ter sido apagada] não tem relação com isso [a operação]”.

Irmão de Ortiz Junior e tesoureiro do PSDB, Beto Ortiz disse que a situação de Guará será analisada pelo partido. “Isso tem de ser levado à Comissão Executiva, mas o fato é que me parece que ainda está em âmbito de investigação. O que aconteceu foi uma diligência dessa investigação e que apreendeu computadores e documentos para encontrarem provas ou não. Mas é investigação ainda”, ressaltou. Beto afirmou que a operação não interfere no plano do partido de anunciar o candidato a prefeito nas próximas semanas. “Ainda não marcamos [a reunião para debater isso], mas a programação ainda continua a mesma. Fim de julho ou meados de agosto. Na verdade, a estratégia e os procedimentos com relação aos atos da campanha municipal não mudam”.

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