Brasil

Em uma semana, cai em 2 milhões número de brasileiros afastados do trabalho devido à pandemia

Por Agência O Globo |
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População nas ruas do Rio de Janeiro, durante a pandemia
População nas ruas do Rio de Janeiro, durante a pandemia

A flexibilização do isolamento social tem feito com que mais pessoas deixem o afastamento do trabalho, seja para retomar as funções originais ou ser demitida.

Dados da Pnad Covid, divulgada nesta sexta pelo IBGE, mostram que, na primeira semana de julho, caiu em 2 milhões o número de brasileiros que estavam ocupados, mas afastados do trabalho por causa da Covid-19, na comparação com a última semana de junho. Hoje, o país ainda tem 8,2 milhões de trabalhadores nessa situação.

Segundo o instituto, parte dos ocupados retornou ao trabalho e outra parcela foi para fora da força, ou seja, foi demitido, não voltou a trabalhar, nem procurou trabalho.

"Enquanto a população ocupada e afastada por diversas causas, inclusive distanciamento social, diminuiu em cerca de 2,5 milhões de pessoas, os ocupados e não afastados aumentaram em 1,8 milhão, uma diferença de cerca de 700 mil", ressalta Maria Lucia Vieira, coordenadora da pesquisa do IBGE.

Esse contingente de pessoas ocupadas que estavam afastadas do trabalho vem caindo semanalmente, segundo dados do IBGE. Em maio, por exemplo, cerca de 16,5 milhões de brasileiros estavam nessa situação, impossibilitados de trabalhar.

Indicadores como a taxa de isolamento estão caindo a cada dia, enquanto dados de mobilidade urbana apresentam elevação.

Segundo o IBGE, a taxa de desocupação ficou em 12,3%, estável na comparação com a última semana de junho, quando havia registrado alta após 3 semanas. Já o número de pessoas desocupadas teve ligeira redução, de 12,4 milhões para 11,5 milhões.

Maria Lucia explica que a queda no número de pessoas desocupadas está mais associada à saída dessas pessoas da força de trabalho do que pela entrada na população ocupada. "São pessoas que, naquela semana, não procuraram trabalho por algum motivo", explica.

Na metodologia do IBGE, é considerado desempregado apenas quem efetivamente procura emprego e não acha. Quem desiste ou suspende a busca no período coberto pela pesquisa, não entra na estatística.

Economistas afirmam que a alta do desemprego deve ser uma tendência nas próximas semanas. À medida que o distanciamento social é flexibilizado, mais pessoas tendem a procurar emprego, mas não encontrarão pelo baixo dinamismo da economia. Com isso, o mercado de trabalho fica mais pressionado.

Segundo o IBGE, ainda há 19,4 milhões de pessoas fora da força de trabalho que gostariam de estar no mercado, mas não procuraram emprego por causa da pandemia ou por falta de trabalho onde vivem.

Se incluídos entre os desocupados, pelo método desenvolvido por pesquisadores do CEM (Centro de Estudos da Metrópole), da USP,  a taxa de  "desemprego oculto pelo distanciamento social" seria de 24,4%.

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