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Com declarações de Guedes sobre privatizações, Bolsa sobe mais de 2%; dólar fecha a R$ 5,35

Por Agência O Globo |
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Bolsa opera em alta
Bolsa opera em alta

A semana começou positiva para o mercado acionário brasileiro com declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre retomada de privatizações.

 O Ibovespa (Índice de referência da Bolsa de São Paulo) fechou com alta expressiva de 2,24%, aos 98.937 pontos, seguindo o otimismo do mercado internacional, com boas notícias na China e nos EUA.

Mas as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a venda de estatais, deram fôlego extra ao otimismo dos investidores.

No câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 0,62% cotado a R$ 5,351. Na máxima, o dólar subiu a R$ 5,356.

"Embora o mercado acionário tenha mostrado que os investidores acreditam na recuperação dos negócios, o dólar deverá manter a volatilidade até que surja um fato novo capaz de devolver equilíbrio na precificação dos ativos", disse Ricardo Gomes da Silva, diretor da corretora de câmbio Correparti.

O Ibovespa chegou a superar os 99 mil pontos na máxima (bateu em 99.256) e encerrou no maior patamar de fechamento desde 5 de março, quando encerrou aos 102.233 pontos.

No domingo, em entrevista à CNN Brasil, Guedes declarou que o governo planeja a venda de quatro estatais nos próximos 90 dias, mas não citou quais empresas seriam.

O ministro destacou que o governo vê nas subsidiárias — braços do negócio principal — uma fonte de recursos.

"Tem um arbusto que é uma empresa estatal, cheia de ativos valiosos. Subsidiárias da Caixa são um bom exemplo. Esse ano é um excelente ano para fazer um IPO grande: R$ 20, R$ 30, R$ 40, R$ 50 bilhões. Bem maior até que uma Eletrobras, por exemplo", disse Guedes.

Não é a primeira vez que a equipe econômica fala sobre privatizações e o andamento de reformas. Na percepção dos analistas, o mercado está dando o "benefício da dúvida" a respeito do andamento da agenda de venda de estatais e reformas.

"O mercado já ouviu sinalizações anteriores sobre reformas e privatizações. Ontem, com a entrevista do ministro Guedes, esses assuntos voltaram ao foco. No pregão desta segunda, observamos o mercado dando o benefício da dúvida a respeito das promessas. O fato de o ministro ter dado prazo e quantidade de empresas a serem vendidas mostra que os objetivos estão mais claros", diz Raphael Guimarães, operador da RJ Investimentos.

Assim, as ações das empresas públicas listadas na Bolsa subiram.

Os papéis da Eletrobras e do Banco do Brasil tiveram ganhos de, respectivamente, 0,68% e 3,49%.

A Petrobras também subiu nesta segunda, com suas ações ordinárias (ON, com direito a voto) e preferências (PN, sem direito a voto) tendo ganhos de, na ordem, 2,89% e 2,32%.

A estatal do petróleo também se beneficiou do cenário externo mais favorável para os negócios.

"Após a entrevista do ministro Guedes, os investidores começaram a se mexer para antecipar possíveis ganhos com a venda de estatais. Embora o ministro não tenha revelado quais empresas públicas, as negociações na Bolsa seguiram a famosa máxima de que o mercado 'sobe no boato e cai no fato'", avaliou Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.

Para Fernando Góes, analista da Clear Corretora, o Ibovespa rompeu o suporte de 98 mil pontos e vários indicadores técnicos como rastreadores de tendência e médias mostram que existe uma chance maior do índice ganhar mais força.

"Embora a marca dos 100 mil pontos tenha um efeito psicológico grande, graficamente começamos a olhar para os 105 mil a 107 mil pontos, que deve ser o novo alvo do Ibovespa", disse Góes.

China e EUA também trouxeram otimismo ao mercado

Nesta segunda, a mídia estatal chinesa afirmou que, em um mundo remodelado pelo coronavírus, o país precisa de mais ganhos no mercado acionário para financiar uma economia digital em rápido desenvolvimento e fortalecer sua posição nas crescentes rivalidades de poderes. As declarações também animaram os investidores.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, disparou 5,67%. No Japão, o Nikkei subiu 1,83%.

Bolsas americanas em alta

As bolsas americanas também fecharam o dia com forte alta. O Dow Jones subiu 1,78%; o S&P 500 teve ganho de 1,59% e o Nasdaq avançou 2,21%.

Nos Estados Unidos, o índice de atividade do setor de serviços americano, calculado pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM) ficou em 57,1 pontos em junho.

O resultado ficou acima da previsão dos analistas consultados pelo "The Wall Street Journal", de 50,1 pontos. E foi o maior salto, de um mês ao outro, da série histórica iniciada em 1997.

Já na Europa, as vendas no varejo da zona do euro mostraram recuperação recorde em maio. Nos 19 países que têm o euro como moeda comum, as vendas subiram 17,8% em maio, na comparação com abril, informou a Eurostat. O avanço foi o mais forte desde o início da série histórica do indicador, em 1999.

O resultado se refletiu no bom humor dos índices acionários do continente europeu, que fechara em alta.

Em Paris (CAC) e Frankfurt (DAX) as altas foram de, respectivamente, 1,49% e 1,64%. Mesmo fora da zona do euro, a Bolsa de Londres (FTSE) avançou 2,09%.

"A China colocando o mercado de capitais como um dos indutores do crescimento, junto com dados mais positivos na Europa, contribuem para um viés positivo generalizado nos mercados globais. A tendência, para esta sessão, é de um pregão de ganhos", acrescenta Carvalho.

Indústria em queda

Internamente, os economistas consultados pelo Banco Central (BC) na elaboração do Boletim Focus voltaram a projetar que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil vai recuar 6,5% em 2020. Na semana anterior, a estimativa era de 6,54%.

Porém, em relação à produção industrial, as estimativas pioraram. O Focus indica que o setor deve recuar 8,1% em 2020. No início de junho, o Focus projetava que a indústria ia cair 5% neste ano.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a projeção do Focus apresentou uma ligeira melhora. A projeção de queda passou de 6,54% para 6,5%.

No câmbio, o mercado acredita que o dólar vai encerrar o ano valendo R$ 5,20.

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