Desde que o primeiro caso de um paciente com Covid-19 foi confirmado e o novo coronavírus passou a circular no país, o presidente Jair Bolsonaro minimizou e relativizou em diversas situações e em entrevistas a gravidade do vírus. Bolsonaro já chamou a doença causada pelo novo vírus de "gripezinha", caracterizou medidas de governadores para conter a disseminação como "histeria", disse que o coronavírus estava sendo "superdimensionado" e que a mídia propagava "fantasias".
Confira dez vezes em que Bolsonaro minimizou a crise do novo coronavírus
"Durante o ano que se passou, obviamente, temos momentos de crise. Muito do que tem ali é muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga. Alguns da imprensa conseguiram fazer de uma crise a queda do preço do petróleo", disse o presidente, minimizando o novo coronavírus, no dia 9 de março, em entrevista à imprensa.
"A questão do coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado, o poder destruidor desse vírus. Então talvez esteja sendo potencializado até por questão econômica, mas acredito que o Brasil, não é que vai dar certo, já deu certo", declarou o presidente durante um encontro com a comunidade brasileira em Miami, no dia 9 de março, durante viagem oficial de quatro dias aos Estados Unidos.
"Não vou viver preso dentro do Alvorada. Se eu resolvi apertar a mão do povo, é um direito meu, eu vim do povo. Tenho obrigação de saudar o povo", afirmou o presidente, no dia 16 de março em entrevista à Rádio Bandeirante, após descer a rampa do Palácio do Planalto para cumprimentar apoiadores que participaram da manifestação a favor do governo e contra o Congresso e o Judiciário.
"Se eu me contaminei, tá certo? Olha, isso é responsabilidade minha, ninguém tem nada a ver com isso", disse o presidente, no dia 16 de março, após ser questionado sobre cumprimentos à apoiadores no Planalto.
"Esse vírus trouxe uma certa histeria e alguns governadores, no meu entender, eu posso até estar errado, estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia", em entrevista à "Rádio Tupi", em 17 de março, em meio a um acirramento entre o governo federal e os governadores sobre as medidas de contenção do novo coronavírus.
"Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar", afirmou Bolsonaro, referindo-se à facada que recebeu durante a campanha presidencial em 2018, em entrevista coletiva no dia 18 de março.
"Vão morrer alguns pelo vírus? Sim, vão morrer. Se tiver um com deficiência, pegou no contrapé, eu lamento", disse Bolsonaro, que afirmou ainda que é preciso "alongar a curva da contaminação" para atender aos idosos, mas avaliou que é inevitável a morte de pessoas nos considerados grupos de risco. A declaração foi dada no dia 21 de março em entrevista ao "Programa do Ratinho".
"É uma questão grave, mas não podemos entrar no campo da histeria", afirmou ao responder, no dia 22 de março, pergunta sobre o que o governo federal estava fazendo contra o desabastecimento de alimentos e produtos nas cidades, em entrevista para a TV Record.
"O número de pessoas que morreram de H1N1 foi mais de 800 pessoas. A previsão é não chegar aí a essa quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus", disse, no dia 22 de março, ao se referir ao surto de H1N1, ocorrido em 2009.