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'Se não tomarmos medidas agora, será tarde', diz coordenador do comitê do coronavírus em SP sobre queda no isolamento

Por Agência O Globo |
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Pesquisa. Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantan
Pesquisa. Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantan

Autoridades de saúde integrantes do Centro de Contigência do coronavírus em São Paulo demonstram preocupação em relação às constantes quedas na taxa de isolamento  social no estado e ressaltam a urgência de se implantar medidas de afastamento mais efetivas. O desafio maior é em relação às periferias, regiões em que o vírus tem se expandido com rapidez. Segundo Dimas Covas, coordenador do Centro de Contingência, se medidas mais restritivas não forem tomadas agora, "será tarde".

"A epidemia se desloca para as periferias, onde temos a maior densidade populacional. Isso é um problema, sem dúvida, porque ali há condições muito propícias à transmissão. Mesmo que a pessoa se isole, ela fica em uma casa com muitas pessoas, com uma metragem quadrada reduzida. É um desafio, só que as medidas precisam ser tomadas rapidamente. Não podemos esperar esgotar nossa capacidade de atendimento ou de ações específicas nessas regiões. Se não tomarmos medidas agora, mas daqui a uma semana, ou dez dias, será tarde. É preciso agir no sentido de implementar maior adesão às medidas de afastamento focadas nas comunidades", afirmou, em coletiva de imprensa. 

Quarta-feira, o coordenador do Centro de Contingência já havia dito que São Paulo caminha para o lockdown em alguns municípios se não houver uma reversão nas taxas de isolamento e de ocupação dos leitos hospitalares. Ele não adiantou em quais cidades a medida poderia ser adotada, mas o governo destacou que as áreas com piores índices são a região metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista.

A taxa de isolamento no estado e na região metropolitana de São Paulo tem caído nas últimas semanas em comparação aos números registrados no início da quarentena. Em meados de março, São Paulo atingiu taxas de 56% de isolamento, mas hoje o número não tem passado de 47%, mesmo com medidas mais restritivas de circulação, como o rodízio ampliado de veículos.

"Índice de isolamento é medida indireta para a taxa de contágio. Quanto mais elevado, menor a taxa. A taxa de contágio aumentou, então isso vai se refletir nas próximas semanas. Se cai (a taxa de isolamento), todo o esforço que fizemos antes se perde rapidamente e coloca de novo o vírus em circulação. Aponta para uma piora dos indicadores. Estamos em um momento muito crítico da evolução dessa pandemia", disse Dimas Covas.

Nesta quinta-feira, a taxa de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) na Grande São Paulo é de 85%. Já no estado, a situação é menos crítica: 69%. 

Há quase 10 mil pessoas internadas entre suspeitos e confirmados para Covid-19, segundo o secretário de Saúde, José Henrique Germann. São Paulo soma 54.286 casos de coronavírus e 4.315 mortes.

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