Assim que a notícia do pedido de demissão de Nelson Teich do Ministério da Saúde foi divulgada, panelaços, bizinaços e gritos de "Fora, Bolsonaro" foram ouvidos em bairros de algumas capitais do país.
No Rio, houve manifestações desse tipo no Cachambi, na Zona Norte, e em Laranjeiras, Glória, Humaitá e Jardim Botânico, na Zona Sul. Em Copacabana, houve gritos de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro.
Minutos antes de a informação ser divulgada, o presidente participou do lançamento de uma campanha de conscientização e enfrentamento à violência doméstica no Salão Nobre do Planalto, ao lado da primeira-dama e de alguns ministros. Diferentemente do que geralmente ocorre em eventos como esse, Bolsonaro não discursou na solenidade. Apenas a ministra da Família, Mulher e Direitos Humanos, Damares Alves, e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, discursaram. Ele também deixou o local sem falar com os jornalistas.
Na última quarta-feira, Teich faria uma coletiva para anunciar a matriz de isolamento proposta aos estados, mas acabou cancelando a reunião após não conseguir estabelecer consenso com secretários estaduais e municipais.
O médico estaria isolado na pasta, sem apoio da área técnica do ministério e alvo de críticas dentro e fora do governo. Teich era visto por gestores dos estados como uma "decepção geral". O ministro chegou ao órgão em abril para substituir Luiz Henrique Mandetta, demitido após divergências com o presidente Jair Bolsonaro.