O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que a crise entre os poderes "são ruídos" da democracia brasileira, considerados por ele como naturais". Guedes afirmou que o país está indo para "até a direita mais extrema" no espectro político.
"Essas crises que a gente vê toda hora entre os poderes são ruídos de uma democracia vibrante. Eu não compartilho do pessimismo de quem olha para isso e teme o caos, acha que o Brasil vai incendiar-se a qualquer momento. O meu acompanhamento da história brasileira é outro", disse o ministro, ao participar de um seminário sobre os impactos econômicos de decisões jurídicas.
Para Guedes, a democracia brasileira está "robusta e mais flexível".
"Ela (a democracia) tinha viajado todo o espectro para a esquerda, até a extrema esquerda. E agora ela viajou pelo espectro da centro-direita, está indo até a direita mais extrema. Ela tem a capacidade de absorver os choques. Os ruídos são naturais. Eu prefiro os ruídos de uma democracia do que o silêncio de uma ditadura", afirmou o ministro.
Guedes citou a Coreia do Norte. E afirmou que estão usando cadáveres como plataforma política. O ministro, porém, não disse a quem se refere.
"Você não sabe o que está acontecendo hoje na Coreia do Norte, não sabe quantas vítimas tem do coronavírus lá. No Brasil está essa confusão toda, todo mundo gritando, e usando até cadáveres como plataforma eleitoral. Eu acho que a população não vai aprovar esse comportamento. O que ela espera das lideranças é esse esforço para atravessar as duas ondas, a onda da saúde e a onda econômica. Eu tenho certeza que o Brasil vai surpreender", disse Guedes.
Guedes afirmou que tem havido uma colaboração "bastante grande entre os principais poderes".
"Os barulhos são naturais porque um pisa no pé do outro de vez em quando. São poderes independentes. Um vai, expande um pouco, e pisa no pé do outro. O outro reclama e dá um empurrão de volta. O barulho que estamos vendo é isso. "Olha, não pisa no meu pé que eu te empurro". Isso está acontecendo toda a hora", disse o ministro.
Antes, Guedes citou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Afirmou que ele está sendo construtivo e evitando "pautas-bombas" no Supremo.