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Em mensagem, mulher de Queiroz compara ele a 'preso dando ordens aqui fora, resolvendo tudo'

Por Agência O Globo |
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Queiroz em entrevista ao SBT, em dezembro de 2018 r
Queiroz em entrevista ao SBT, em dezembro de 2018 r

Ao decidir pela decretação da prisão preventiva do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, o juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio justificou a medida no despacho citando, entre outros motivos, que o Ministério Público do Rio arrecadou durante as buscas e apreensões mensagens de Márcia Oliveira de Aguiar, mulher de Queiroz. Nas mensagens, ela dizia que o ex-assessor, mesmo afastado do gabinete do senador, continuava dando ordens. Ela chegou a compará-lo a um bandido "que tá preso dando ordens aqui fora, resolvendo tudo". O juiz também decretou a prisão de Márcia, mas ela ainda não foi localizada. O caso corre em sigilo.

A reportagem apurou que a decisão do juiz Flávio Itabaiana, de 46 folhas, foi tomada por conveniência da instrução criminal, para garantia da ordem pública e para asseguramento da aplicação da lei penal, como informou o despacho. Um dos motivos, aliás, foi porque o casal estaria se escondendo há muito tempo, sem dados sobre o paradeiro de Queiroz desde que teve alta do hospital, em São Paulo, após ser operado, até a prisão de hoje em um sítio que consta como escritório do advogado Frederick Wassef, que defende Flávio na investigação.

O magistrado avaliou ainda que se Fabrício Queiroz e Márcia Oliveira de Aguiar continuassem soltos eles poderiam ameaçar testemunhas e investigados atrapalhando as investigações. O juiz ressaltou ainda que há prova robusta nos autos e que testemunhas já deixaram de ser ouvidas por orientação de Fabrício Queiroz. Esse foi o caso de Danielle Nóbrega, ex-mulher do capitão do Bope, Adriano Nóbrega, que constou como assessora de Flávio por 10 anos e foi demitida do gabinete em novembro de 2018 a pedido de Queiroz.

O ex-assessor de Flávio foi preso na na manhã desta quinta-feira em operação conjunta do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil de São Paulo denominada Anjo, apelido do advogado de Flávio, Frederick Wassef.  Queiroz e o senador são investigados pelo esquema da rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio. Ele foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo e seguirá ainda hoje para o Rio, onde é investigado.  Não houve resistência ou qualquer incidente no momento da prisão preventiva.

Queiroz esteve no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio entre 2007 e 2018 e, no período, emplacou sete parentes na estrutura. Além dele, também foram lotados outros sete parentes dele no gabinete de Flávio desde 2007. Entre os parentes de Queiroz investigados junto com ele, estão a mulher, a enteada e duas filhas, uma delas é a Nathalia Queiroz, conhecida por ser personal trainer.

Delegado da Polícia Civil responsável pela operação que prendeu Queiroz, Osvaldo Nico Gonçalves afirmou à GloboNews que o portão da casa foi arrombado. Foram apreendidos dois celulares e documentos e um pequeno valor em dinheiro. Ele estava sozinho na casa.

O GLOBO apurou que o MP do Rio quer trazer Queiroz ao Rio, para que ele fique em prisão preventiva no sistema penitenciário fluminense.

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