Ideias

Coronel Eliane Nikoluk - Uma terra joseense do sol nascente

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Coronel Eliane Nikoluk*

Em tempos de pandemia surge tempo para refletir sobre a vida e sobre o futuro. Se após essa crise teremos um mundo melhor e um povo mais colaborativo, solidário, empático. Afinal, o sofrimento não une as pessoas? Não gera aprendizado?

Minha fé nas pessoas não morre nunca, mas confesso que essa fé inabalável foi colocada à prova nestes dias, em uma segunda feira bem cedinho, na caminhada solitária com máscara. Afinal, esporte é prevenção e por mais exercício em casa (varrendo, esfregando chão, janelas e areando panelas) há momentos que sentir vento no rosto e sol na pele é fundamental para reequilibrar corpo e mente. Estava na rua feliz com o sol, com o verde das árvores, com o vento no rosto e... eis que nessa euforia feliz vejo lixo, lixo pra todo o lado!

Choque, raiva, tristeza, felicidade sabotada por frustração! Lixo na grama, no pé das árvores, saquinhos, latinhas, garrafas de cerveja, lixos de todo o tipo sujando lugares de todos nós, na linda praça onde pessoas buscam espaço ou até um pouquinho de vento ou sol! E pertinho desses refúgios sabotados, várias lixeiras disponíveis para uso, basta andar um pouquinho...

Concluo que a tal pandemia não é a mesma para todos, afeta as pessoas de forma desigual. Muita gente ainda alienada, sem entender que somos parte de um todo integrado, que o sofrimento de um reflete em todos, sem exceção. Nosso lugar é lar de todos nós, precisa ser cuidado, mantido saudável para não se virar contra nós em forma de epidemia ou desastre. Dói constatar que, apesar de tudo, somos uma praga, infestando os lugares com lixo... lixo de comportamento, lixo de indiferença, lixo de atitude, mais lixo que o lixo!!!

Em meio à frustração, vejo um casal de meia-idade recolhendo o lixo jogado na praça no final de semana. São japoneses, e os vejo curvados com um espeto e um saquinho na mão. Na hora, lembrei do momento que mais me emocionou na Copa do Mundo de 2018: a torcida japonesa limpando o Estádio, depois do jogo. Como esquecer? Exemplo que os habitantes da Terra do Sol Nascente nos deixam, raio de luz, de esperança, de raiar de novos tempos. Esperança de nós, brasileiros, evoluirmos como cidadãos mais conscientes e respeitosos com o próximo, com nossa terra e com nosso futuro. Falando menos e agindo mais.

Que um novo amanhecer possa surgir após essa grave pandemia. Que o sofrimento gere aprendizado. E que as perdas sofridas possam inspirar o sol nascente de uma nova Nação.

*Ex Comandante do CPI-1 e especialista em segurança e gestão pública

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