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Bolsonaro compara faixas pedindo AI-5 a boitatá e bicho papão

Por Agência O Globo |
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Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro comparou as faixas pedindo o AI-5 em manifestações pró-governo ao boitatá e ao bicho-papão. Segundo ele, não existe essa possibilidade. O AI-5 foi o Ato Institucional nº 5, marco do endurecimento da ditadura militar brasileira editado em 1968, permitindo entre, outras coisas, o fechamento do Congresso e a supressão de direitos individuais. Bolsonaro também disse que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não devem ficar apavorados com as faixas que pedem o AI-5 ou o fechamento da Corte.

— Do nosso lado, raramente tem alguém com uma faixa AI-5. Não sei porque ministro do Supremo fica preocupado com AI-5. Não existe AI-5. É falar em boitatá, bicho papão, mula sem cabeça. AI-5 é a mesma coisa. Agora é o direito de se manifestar, as pessoas levam as faixas que bem entender. Outros pedindo ali o fechamento do Supremo. Vai fechar o Supremo, e daí quem vai fechar? Não tem como dialogar mais — disse Bolsonaro na portaria do Palácio da Alvorada no fim da noite de quarta-feira.

Em seguida, lembrou que vai poder indicar dois nomes ao STF no seu mandato. Em 2023, caso seja reeleito em 2022, poderá nomear mais dois. O STF tem ao todo 11 ministros, que, ao completarem 75 anos, têm que se aposentar. Bolsonaro já disse antes que uma das vagas será preenchida por alguém "terrivelmente evangélico".

— Em novembro tem uma vaga para o Supremo. Vamos indicar um pessoa lá afinada com os princípios nossos. Os outros foram para lá mais ligado aos princípios de quem os indicou. A gente vai mudando. Ano que vem tem mais uma vaga. Em 23 tem duas vagas. A gente vai se acertando. Agora não justifica que pessoas com responsabilidade, togadas, experientes, juristas, apavorado com a faixa de AI-5 — disse o presidente.

Ele negou ainda a possibilidade de um golpe ou de medidas contra o Estado democrático de direito. Segundo ele, essas eram iniciativas de governos anteriores, ou seja, das gestões petistas.

Na segunda-feira, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, afirmou que as atitudes de Bolsonaro têm trazido dubiedade e assustado a sociedade brasileira. Ele também pediu uma trégua entre os poderes para combater a pandemia de coronavírus no Brasil. A fala ocorreu durante uma live da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) em defesa da democracia e do Poder Judiciário. Questionado na quarta-feira sobre as declarações de Toffoli, Bolsonaro respondeu:

— É o direito dele se manifestar nesse sentido. Não vou entrar em polêmica com ele. Eu tenho conversado uma, duas vezes por mês com ele. Sem problema. De vez em quando a gente se fala uma coisas. Não é por isso que eu vou agora reagir, brigar com Dias Toffoli publicamente. Ele falou, é a opinião dele, eu respeito. Mas ele está completamente equivocado se falou isso aí. Não vai mudar em nada os contatos que tenho que ele, basicamente para discutir questões nacionais.

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