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Dólar fecha em alta, a R$ 5,04, com risco de segunda onda de Covid-19 nos EUA; Bolsa recua

Por Agência O Globo |
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Nesta sexta, o dólar comercial voltou a ganhar força contra o real. A moeda americana encerrou os negócios com alta de 2,18%, valendo R$ 5,041. Na Bolsa, o Ibovespa (índice de referência da B3) cai 3,02%, aos 91.831 pontos. O mercado brasileiro não operou na quinta, então reflete nesta sexta-feira as quedas registradas nas principais economias na véspera. O mercado avalia se vai ocorrer uma segunda onda de contágio da Covid-19.

Por conta do feriado de Corpus Christi, as negociações foram interrompidas no Brasil. Mas no exterior, principalmente nos EUA, a quinta-feira foi negativa. Os índices acionários de Nova York sofreram fortes perdas, acima de 6%, mas se recuperam nesta sexta. O Dow Jones subiu 1,9%. S&P 500 e Nasdaq tiveram ganhos de, respectivamente, 1,31% e 1,01%. Mesmo com os ganhos deste pregão, os três índices tiveram a maior queda semanal, em percentual, desde 20 de março.

Os investidores observam atentamente os números de infecções pelo novo coronavírus nas regiões que estão reabrindo as economias. Nos Estados Unidos, o Texas registrou 2,5 mil casos da doença na última terça-feira, superando o recorde anterior de 1,9 mil em 31 de maio.  No Arizona, hospitais que tratam novos casos de coronavírus operam com cerca de 83% de suas capacidades, de acordo com um relatório divulgado pelo Departamento de Serviços de Saúde.

"O mercado brasileiro passa por um ajuste após o impacto sofrido nos mercados globais na véspera. O país acabou sendo beneficiado pelo feriado. Se as negociações estivessem ocorrendo ontem, a queda tenderia a ser maior. Mas como EUA e Europa já estão se recuperando nesta sessão, as perdas para Brasil são mais brandas", destaca Paloma Brum,  economista da Toro Investimentos.

Na semana, o dólar registrou leve alta de 0,42% frente o real.

Especialistas em saúde pública temem que as reaberturas das economias tenham sido precoces.

"A perspectiva de retomada da economia como um todo foi atrapalhada pelo aumento de casos nos Estados Unidos", destaca Mauricio Pedrosa, gestor da Áfira Investimentos. "Também pesa no mercado brasileiro, que estava fechado ontem, a perspectiva mais pessimista do Fed sobre a economia e também os dados sobre o Reino Unido".

"A perspectiva de retomada da economia como um todo foi atrapalhada pelo aumento de casos nos Estados Unidos", destaca Mauricio Pedrosa, gestor da Áfira Investimentos. "Também pesa no mercado brasileiro, que estava fechado ontem, a perspectiva mais pessimista do Fed sobre a economia e também os dados sobre o Reino Unido".

A autoridade monetária dos EUA projeta que a economia americana vai recua 6,5% este ano. Em dezembro do ano passado, a projeção era de crescimento de 2% em 2020. Na Europa, a economia do Reino Unido encolheu 20,4% em abril em comparação ao mês anterior.

"O mercado reage às expectativas. Antes, o cenário era mais positivo, por isso uma temporada de ganhos. Agora, com uma sinalização que demanda mais cautela, os preços vão se reacomodar diante desta nova perspectiva", acrescenta Pedrosa.

Já na Europa, as principais Bolsas subiram na sessão desta sexta-feira. Em Londres (FTSE), a alta foi de 0,47%, enquanto Paris (CAC) subiu 0,49%. Frankfurt (DAX), que operou a maior parte da sexta com ganhos, fechou com queda de 0,18%.

Destaques do Ibovespa

Diante dos ajustes por conta das perdas internacionais na véspera, as principais ações listadas no Ibovespa operam com queda. A possibilidade de uma nova onda de contaminações afeta o comportamento das empresas ligadas a turismo, que registram fortes perdas. Se este cenário de uma nova fase da doença for confirmado, o fluxo de pessoas tende a ser afetado.

As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) das aéreas Azul e Gol perdem, na ordem, 8,04% e 8,75%. Os papéis ordinários (ON, com direito a voto) da operadora de turismo CVC recuam 10,36%.

O setor bancário, de maior peso no índice, também opera em terreno negativo. Banco do Brasil ON recua 3,51%. Bradesco PN perde 2,29%; Itaú Unibanco PN, 3,01%.

A Petrobras cai refletindo o recuo da cotação do petróleo registrada na quinta. Nesta sessão, o barril do tipo Brent é negociado com alta de 0,93%, valendo US$ 38,91. Os papéis ON e PN recuam, respectivamente, 4,36% e 4,72%.

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