Uma geração que já nasceu 'conectada' e imediatista. Assim é a chamada 'Geração Z', formada por jovens nascidos entre 1995 e 2010 e que agora se veem em meio a um dos maiores desafios da humanidade: a pandemia do novo coronavírus.
Por conta da necessidade de quarentena e até por medo de perder algum ente querido, esses jovens, normalmente mais ligado nas tecnologias, podem estar se voltando para os familiares e para o resgate dos valores das dimensões humanas. Inclusive, é isso que mostra pesquisa divulgada em maio pela HSR Specialist Researchers.
De acordo com o levantamento, para 49% dos chamados 'Zners' as conversas com pessoas que moram na mesma casa aumentaram 41% e também estão participando mais das refeições em família. Além disso, 30% dos consultados também estão conversando mais com familiares que moram em outra casa - mesmo que seja através justamente da tecnologia. Eles parecem estar redescobrindo o prazer de estar em família.
Para a psicóloga Michele Bocchi Cavalcanti, de Caçapava, acostumada a terapias familiares, a nova tendência é perceptível.
"Tenho observado que o isolamento social possibilitou a essa geração estar mais próxima aos familiares, e com isso a convivência tornou-se inevitável, proporcionando um conhecimento maior do dia a dia e trazendo questões que antes se conseguia evitar", afirmou.
"Porém, há gratas surpresas no sentido de se perceber a preocupação recíproca entre os membros, mas também há dificuldade da convivência no dia a dia", ressalta.
Para Michele, o medo de perder algum ente querido de fato tem contribuído para fazer com que os jovens se preocupassem mais neste período de incertezas por conta da pandemia. "Podemos destacar que, com a chegada desta pandemia do Covid-19, a possibilidade de se perder um membro da família se tornou real, visto que antes desta, esta geração imaginava que nada os atingiria", ressalta.
Para Michele, a nova experiência poderá trazer resultados positivos e amadurecimento aos jovens de hoje.
"Contudo, podemos concluir que a geração Z têm crescido emocionalmente nesses meses e possivelmente sairão diferentes após esse momento em que vivemos. No entanto, não apenas essa geração ressignificou seus valores, mas também todos aqueles que vivem a sua volta sendo eles família ou pessoas de seu convívio, uma vez proporcionado troca de valores e aprendizado mútuo", explica a psicóloga.
TRABALHO.
A pandemia, além do risco à saúde das pessoas, também atingiu em cheio a chamada 'geração Z' no que diz respeito à questão econômica.
Ao menos é o que mostra uma pesquisa divulgada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), na qual uma a cada seis pessoas de 15 a 24 anos deixou de trabalhar desde o início da pandemia.
Os que não perderam o emprego tiveram as horas de trabalho reduzidas em 23%..