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Antes de deixar cargo, Weintraub indicou olavistas para o Conselho Nacional de Educação

Por Agência O Globo |
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O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub
O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub

Pouco antes de deixar o MEC (Ministério da Educação), entre seus últimos atos, o então ministro Abraham Weintraub tomou medida central para influenciar os rumos da área no país. Weintraub encaminhou à Casa Civil uma lista com 12 indicados para compor o CNE (Conselho Nacional de Educação). Entre os nomes, estão representantes do setor privado e até mesmo seguidores do guru bolsonarista Olavo de Carvalho.

O ex-ministro ignorou nomes indicados por entidades da área, como a Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação), que recomendou o nome de Aléssio Costa Lima, ex-presidente da instituição. Weintraub também não acatou a indicação do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), que indicou, entre outros, Eduardo Deschamps, que já compõe atualmente o Conselho. Weintraub também não reconduziu ao cargo o atual presidente do CNE, Luiz Roberto Liza Curi.

Como o GLOBO mostrou em janeiro, havia um temor de que Weintraub promovesse uma guinada conservadora no órgão, que é responsável por normatizar a área no país. Segundo decreto emitido em 1999, ao menos metade das indicações para integrar o colegiado deve ocorrer por meio de uma lista de nomes apresentada por entidades representativas da área, mas cabe ao MEC definir quais serão essas organizações.

Nos últimos anos, entidades representativas como a UNE (União Nacional dos Estudantes), a Undime, e o Conselho Nacional de Secretários de Educação compuseram a lista. O ministro da Educação seleciona os candidatos e apresenta os nomes elegíveis ao presidente, responsável por nomeá-los.

Para a Câmara de Educação Básica, Weintraub indicou Amábile Pacios, Augusto Buchweitz, Evandro Faustino, Fernando César Capovilla, Gabriel Giannattasio, Tiago Tondinelli e William Ferreira da Cunha. Já para a Câmara de Educação Superior, os indicados foram Antônio Veronezi,Jean Marie Lambert, Luís Henrique Amaral, Ricardo Luís Silveira da Costa e Wilson de Matos Silva.

A análise dos nomes mostra a força do atual secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, que chegou a ser cotado para substituir Weintraub no MEC. Há nas indicações nomes ligados à defesa do método fônico, estratégia defendida pelo governo para a área da alfabetização, e também pessoas ligadas à Universidade Estadual de Londrina. A cidade de Londrina, de onde veio Nadalim, é um dos núcleos do bolsonarismo na área da Educação e também onde vive o ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez.

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