A incerteza no mercado imobiliário causada pela pandemia deve levar com que 79% das construtoras adiem seus lançamentos imobiliários, aponta uma pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgada nesta segunda-feira.
Entre as empresas pesquisadas, houve um crescimento na previsão de atraso dos lançamentos. Em março, 18% das empresas esperavam atrasar por 120 dias. Em abril, esse número subiu para 28%.
Ao mesmo tempo, o atraso de 60 dias caiu, de 25% em março para 16% em abril. Esses números mostram que as empresas decidiram adiar os lançamentos por mais tempo.
O sócio da Brain Inteligência Corporativa, Fábio Tadeu Araújo, que fez a pesquisa em parceria com a CBIC, disse que o atraso também adia novos investimentos. Além desses atrasos, 33% das empresas pretendem adiar sem prazo. Apenas 2% devem cancelar os lançamentos.
"Quanto mais tempo demorar para a pandemia diminuir o problema, mas tempo nós adiamos isso, adiamos portanto o ingresso de novos investimentos no mercado imobiliário", disse.
O cenário de pandemia já teve efeito no primeiro trimestre do ano. O setor viu o número de lançamentos sofrer uma queda de 14,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. Para abril, a expectativa é de uma redução de 63%.
Diferente do resultado de lançamentos, o número de vendas aumentou em 26,7% no primeiro trimestre. No entanto, o cenário deve começar a refletir a crise em abril, com uma expectativa de queda de 38,8% devido ao coronavírus.
O vice-presidente da área de Indústria Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, estima que o mercado imobiliário deve sofrer menos com a pandemia do que outros setores.
"Você deixar de comprar carro, deixar de comprar uma geladeira, deixar de consumir, é diferente do nosso mercado. O nosso mercado imobiliário depende em número de unidades 75% pra cima do programa Minha Casa, Minha Vida, não estamos falando de venda de imóvel porque é desejo de imóvel, estamos falando de necessidade habitacional", disse.
A demanda por imóveis também caiu por conta da crise. A pesquisa aponta que a incerteza quanto a duração da pandemia e quanto a própria renda, somados, representam 70% dos motivos para desistência da intenção de comprar um imóvel.
Antes da pandemia, 43% das pessoas tinham intenção de imóvel. Esse índice caiu para 24% em março e para 20% em abril.