Identificada como um dos pilares do desenvolvimento industrial futuro, o setor da energia elétrica vem passando por sensíveis transformações. Além de avanços da chamada Indústria 4.0, Internet das Coisas e demais processos digitais, a energia elétrica relaciona-se também com a produção fabril, interferindo na competitividade das indústrias nacionais frente ao mercado externo.
A energia no Brasil é uma das mais caras do mundo. E, no caso de indústrias, como a mineradora e a madeireira, pode atingir até 10% de seu custo. Com isso, o setor perde competitividade. Não à toa, muitas empresas têm migrado para países vizinhos, como Paraguai, que apesar de ter sua hidrelétrica compartilhada com o Brasil, é mais barata por uma série de outras questões.
Se por um lado nosso território pode se orgulhar de ter mais de 80% de suas fontes energéticas limpas e sustentáveis (produzida principalmente por meio de hidrelétricas, também eólica e fotovoltaica), por outro, tais fontes são intermitentes. Ou seja, dependem do regime de chuvas, dos ventos e do sol. E sempre poderá haver secas, dias nublados ou sem ventos.
É aí que mora o problema, já que nesses casos, a energia precisa ser gerada por uma fonte termoelétrica para dar conta da demanda nacional, o que naturalmente, encarece a conta. “Hoje, o Brasil tem custo de geração, transmissão e distribuição de energia. Ele representa 50% do preço que pagamos de energia. O restante é dividido em impostos e encargos (por exemplo, programas de subsídios)”, afirmou João Arthur Mohr, gerente de assuntos estratégicos da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), entidade responsável por pesquisas na área da energia.
“O problema não está nos programas de subsídio do Governo Federal. No entanto, ele deve ser pago com o tesouro nacional. Assim, reduzimos a conta de luz, as industrias conseguem ser mais competitivas, exportam mais e naturalmente pagam mais impostos...”, opiniou o especialista.
Regras.
Outro ponto em debate refere-se a regulação do mercado. Até pouco tempo atrás, comprávamos energia de empresas que tinham o monopólio dessa distribuição dentro dos Estados, o chamado Mercado Cativo, regulado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Agora, o mercado passou a ter nova opção: o mercado livre, em que uma empresa privada pode vender a energia que produz diretamente para a indústria.
“Essa energia chega a ter custo 20% menor do que a do mercado regulado em função da concorrência”, ressaltou Mohr. Por isso, segundo o profissional, a importância também de uma revisão nas leis e regulamentações em uma busca de um equilíbrio entre consumidor e distribuidor, principal desafio atual do setor.
Meio ambiente.
Mas, afinal, o que é uma transição energética? “É uma mudança profunda na estrutura econômica, social e política no sentido de sair da dependência de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, para uma diversificação da matriz, aumentando o uso de modos de produção de energia limpa, ou seja, gerada a partir de recursos naturais renováveis (como sol, vento, marés, água dos rios, calor da terra e biomassa) que permitem uma forte redução nas emissões de Gases de Efeito Estufa”, afirmou Marina Grossi, Presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável).
A “Agenda CEBDS por um País Sustentável”, criada por lideranças empresariais associadas ao conselho, com propostas para os próximos quatro anos, defende a inclusão da variável climática no planejamento energético como fator fundamental para que o crescimento econômico não aumente as emissões de gases de efeito estufa.
A questão fundamental para o futuro, portanto, é a consolidação dos investimentos em fontes energéticas limpas, reduzindo a participação de combustíveis fósseis, a fim de atender à urgente demanda por crescimento, sobretudo se for superior às atuais projeções.
Plano nacional.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, há o programa “Sistemas de Energia do Futuro”, criado em 2016, cujo objetivo é aprimorar as condições para integrar energias renováveis e eficiência energética no sistema energético brasileiro. Até 2027, de acordo com o Planejamento Decenal de Energia, a previsão de produção bruta de gás natural é aumentar 97%, chegando a 217 milhões m³ por dia.
A expectativa é que a geração térmica a gás natural chegue a 11% da capacidade instalada do país . Também está em fase final de elaboração o PNE (Plano Nacional de Energia), que está sendo atualizado para o horizonte de 2050, onde consta o planejamento para a construção de mais seis reatores nucleares. A estimativa do Governo é de que na construção das novas usinas sejam realizados investimentos de US$ 30 bilhões.
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