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Pazuello diz que informações acumuladas de mortes 'não eram dignas do povo brasileiro'

Por Agência O Globo |
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Eduardo Pazuello
Eduardo Pazuello

Após receber críticas pela mudança de horário na divulgação dos dados de Covid-19, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, disse durante reunião ministerial desta terça-feira, no Palácio da Alvorada, que as informações de contaminados e de óbitos pelo novo coronavírus ficarão disponíveis por 24 horas no sistema do Ministério da Saúde e justificou estar trabalhando há 20 dias no novo modelo porque, segundo ele, os dados acumulados "não eram dignos do povo brasileiro"

"Uma tabela simples dizendo acumulado de mortes, acumulado de contaminados do Brasil não era uma informação digna para apresentar para o povo brasileiro. Se demorou, peço desculpas. Foram 20 dias de trabalho. Hoje, nós temos condições de analisar exatamente a progressão de dados todos os dias, todas as semanas, semanas epidemiológicas, até o dia de hoje", afirmou.

Segundo Pazuello, os dados serão divulgados no sistema assim que forem recebidos pelo Ministério da Saúde, não sendo mais necessário uma hora específica para que a população possa acessar os números de Covid-19 no Brasil. Em mais de 40 minutos de fala, Pazuello diz conversado com o presidente há 20 dias para definirem o atual modelo de divulgação que será adotado.

"Os dados têm que ser colocados imediatamente quando cheguem para nós e serão imediatamente disponibilizados no BI. Não tem hora para divulgar dado. Quando era uma planilha simples, informativa, você podia até marcar uma hora. Agora não. Agora é um BI, colocou no sistema, está disponível para o Brasil e o mundo".

Pazuello descartou que o ministério irá fazer uma recontagem do número de óbitos por coronavírus, conforme sugeriu o empresário Carlos Wizard, que foi convidado para assumir a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da pasta, mas desistiu. O ministro propôs a adoção de um novo modelo em que dados serão incluídos no sistema pela data do falecimento por Covid-19 e não pela data de informação ao boletim de saúde, que registra os óbitos após a confirmação da suspeita por realização de teste. Ele considera que assim será possível avaliar melhor a curva da doença.

"Quando você bota no cálculo diário, você vê que ele (número de óbitos) é acumulado dos dias de registro. O que nós estamos propondo, e aí eu coloco como proposta, é que a gente use os mesmos números, os mesmos quantitativos, mas nos dias do óbito. Com isso, você vai ver exatamente o que aconteceu com mais transparência. Não tem nada a ver com o número de óbitos, nem número de registros, mas sim o lançamento do óbito no dia que ele morreu não no dia que ele foi registrado no boletim sanitário. E vai corrigindo os anteriores, aí você passa a observar exatamente a curva", explicou.

O ministro garante que os números não serão mudados. 

"Os números nunca serão mudados. Nós queríamos ver se não estava sendo subnotificado. Nós nunca falamos de hipernotificação".

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