O dólar comercial iniciou a semana em queda. A moeda americana encerrou os negócios desta segunda valendo R$ 5,27, com recuo de 0,89%. Os investidores voltaram suas atenções para as tentativas de reabertura das economias, principalmente a americana, uma vez que não houve novidades nos campos político ou econômico locais. Na mínima, a divisa dos EUA chegou a R$ 5,199. O Ibovespa (índice de referência da Bolsa de SP) recua 1,28%, aos 95.335 pontos.
O mercado ainda avalia os sados divulgados na última semana, principalmente os números referentes às vendas no varejo dos EUA em maio, que vieram com forte alta, em meio à recuperação do mercado de trabalho americano.
"Os investidores estão avaliando a retomada da economia real. O mercado está avaliando os indicadores mais recentes, principalmente os americanos. Até então, os números têm sido positivos, especialmente as vendas do varejo em maio", destaca Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset. "Além disso, há menos receio quanto a uma segunda onda de casos da Covid-19 nos EUA".
Também está no radar dos investidores o novo pacote de estímulos prometido assessor econômico da Casa Branca Larry Kudlow. De acordo com ele, o governo dos EUA planeja uma nova injeção de recursos no país em julho, para mitigar os impactos da pandemia de Covid-19 na economia.
"O pacote americano, guardado a sete chaves, que será anunciado nos próximos dias, deverá ser de uma magnitude financeira significativa. Este montante será somado aos US$ 10 trilhões que foram liberados no mundo como um todo. É uma magnitude pesada", avalia Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos. "Com a economia americana dando sinais de retomada e com mais estímulos, o mercado espera que a superação da crise causada pela pandemia".
Diante de um clima de expectativas positivas, os índices acionários americanos operam em alta. O Dow Jones e o S&P 500 sobem, respectivamente, 0,36% e 0,56%. A Bolsa eletrônica Nasdaq tem ganhos de 0,77%.
Internamente, o Boletim Focus (elaborado pelo Banco Central) interrompeu uma sequência de 18 revisões consecutivas para baixo sobre o desempenho da economia este ano. Agora, os economistas consultados projeta que a economia brasileira terá uma retração de 6,5% em 2020. Na semana passada, a estimativa era de 6,51%.
Em relação ao câmbio, eles ainda avaliam que a cotação da moeda dos EUA vai terminar o ano valendo R$ 5,20.
Ainda nos indicadores brasileiros, a prévia da Sondagem da Indústria de junho de 2020, do FGV/Ibre, sinaliza aumento de 15,2 pontos do Índice de Confiança da Indústria (ICI) em relação ao número final de maio, para 76,6 pontos. Caso o resultado se confirme, essa será a maior variação mensal positiva da série.
"É prematuro dizer que a crise do coronavírus passou e que todos os problemas estão resolvidos. No entanto, há sinais abundantes de variados setores da economia se esforçando para voltar à normalidade. E esses sinais estimulam altas nos pregões aqui e no exterior", escreveram os analistas da Levante Investimentos.
Frigoríficos em quedaNo primeiro pregão da semana, o setor de frigoríficos contribui para as perdas do Ibovespa. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) de JBS e Marfrig perdem, na ordem, 3,35% e 2,5%. Os papéis ON da Minerva caem 4,91%.
O desempenho do setor é afetado pela decisão do governo da China de suspender as compras de carne de frango do frigorífico americano Tyson Foods, diante de novos casod de Covid-19 entre funcionários da empresa. As ações da Tyson caem 2,82% en Nova York
O receio de um bloqueio nos canais de exportação leva os frigoríficos brasileiros à queda, uma vez que a China é um dos principais compradores de proteína animal do país.
Na outra ponta, com a expectativa com a votação do marco regulatório do saneamento básico na quarta-feira, empresas estatais do setor avançam. As ações de Sabesp (São Paulo) e Copasa (Minas Gerais) sobem, respectivamente, 3,61% e 2,81%.
"Depois de três pregões com desempenho melhor do que dos EUA foi a vez do Ibovespa descolar do mercado americano e encerrar com queda superior de 1%. O dia foi de embolso de lucros por parte dos investidores diante do teste dos 98 mil pontos, que é uma importante barreira para o mercado local", avalia Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.