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Caixa registra lucro de R$ 3 bilhões no primeiro trimestre de 2020

Por Agência O Globo |
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Caixa Econômica Federal
Caixa Econômica Federal

A Caixa Econômica Federal apresentou no primeiro trimestre de 2020 lucro líquido de R$ 3,049 bilhões. O resultado representa queda de 7,5% em relação ao ganho auferido no mesmo período de 2019, que foi de R$ 3,295 bilhões.  No quarto trimestre do ano passado, o lucro do banco foi de R$ 2,516 bilhões.

Mas os números divulgados pela Caixa, nesta quinta-feira, já refletem o impacto da crise com a pandemia do novo coronavírus. No primeiro trimestre de 2020, as receitas com tarifas caíram 4,7%  para R$ 5,794 bilhões, na comparação com o último trimestre do ano passado.

A maior queda ocorreu no segmento de cartão de crédito, de 12,5%. Nas operações de crédito como um todo houve uma redução de 11,6% nas receitas com tarifas.

"Uma atividade econômica menor, diminuiu o consumo, uma menor utilização de cartões, assim também como um menor apetite por tomada de  crédito e , no primeiro trimestre,  a a gente já vê o impacto  da desaceleração econômica por conta do novo coronavírus", disse o vice-presidente de Finanças da Caixa, Gabriel Cardozo

Com a piora dos indicadores da economia, o provisionamento para créditos duvidosos subiu 25,2% em dezembro para R$ 2,012 bilhões em março deste ano.A taxa de inadimplência  acima de 90 dias aumentou de 2,17% para 3,14%, no período.

O percentual foi maior para empresas, que passou de 4,26% para 5,43%. De pessoas físicas, de 5,33% para 5,83%.

Segundo Cardozo, a inadimplência tende a crescer no início de ano por causa das despesas extras no orçamento das famílias, mas foi agravada pela pandemia.  Ele destacou que a Caixa já tomou providências para reverter essa situação, com a adoção de medidas de renegociação de dívidas e pausa nos pagamentos das parcelas mensais para pessoas físicas e jurídicas.

Resultado reflete risco do banco

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, disse que o balanço reflete exatamente o risco do banco, que fez ajustes no provisionamento para calotes no ano passado e mudou o foco de atuação, de grandes empresas para micro e pequenas, além do crédito imobiliário. 

"Reduzimos em R$ 50 bilhões a exposição para grandes empresas e neste momento, temos um balanço muito mais leve, que não tem exposição a segmentos que estão com maiores problemas", destacou Guimarães.

Em 12 meses, os empréstimos para empresas caíram 17,1%, enquanto que para pessoas físicas, houve alta de 1,8%. A  carteira de crédito total da Caixa somou R$ 699,6 bilhões em março, aumento de 2% na comparação com igual período do ano passado, devido à expansão dos financiamentos imobiliários.

Guimarães disse que a Caixa está reavaliando a projeção para a expansão da carteira neste ano por causa da crise e que manterá o foco no setor imobiliário.

"O coração da dinâmica depende muito mais do crescimento do mercado imobiliário", explicou.

Com a redução da taxa de juros básica da economia (Selic), o custo de captação de recursos no mercado pela Caixa caiu 12,1% em relação ao primeiro trimestre do passado.

O resultado bruto da intermediação financeira (operações de tesouraria) atingiu R$ 8,626 bilhões. Contudo, a margem financeira teve queda de 13,9%.

De acordo com o balanço trimestral, o retorno sobre o patrimônio líquido da Caixa totalizou 14,4%, praticamente estável nos últimos 12 meses. Para o presidente da Caixa,  esse desempenho é esperado para um banco que tem perfil social:

"Esse é o equilíbrio  entre o banco social e o banco que tem que dar resultado financeiro. Essa é a essência da Caixa".

O chamado Índice de Basileia, utilizado na análise do endividamento das instituições financeiras, alcançou 18,7%, sobre o mínimo exigido que é de 11%. Segundo a Caixa, 89% da carteira total tem garantia sólidas ou em consignado. 

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