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De olho nessa 'nova' Embraer que está sendo desenhada

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 4 min
Avanço
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São José dos Campos vai se despedir da Embraer. Pelo menos “daquela Embraer” que fez história na aviação comercial mundial e colocou o nome da cidade no mapa global da inovação e da tecnologia. O acordo com a norte -americana Boeing transformará a aviação comercial da Embraer em uma nova companhia, batizada de Boeing Brasil Commercial.

Assim, todas as unidades da “velha Embraer” utilizadas na aviação comercial serão absorvidas pela joint venture, incluindo a sede da empresa, na região sudeste de São José, e outras unidades no Vale do Paraíba. E, tudo o que for relacionado à aviação comercial deixará de ser Embraer, que terá 20% das ações da Boeing Brasil Commercial.

A fabricante americana, por sua vez, fi cará com 80%, pagará US$ 4,2 bilhões e terá controle total sobre os rumos da nova empresa. A previsão é que a produção das aeronaves comerciais seja mantida na cidade, sob o novo nome, e aumente ao longo dos anos.

O negócio passa atualmente por avaliação em organismos reguladores no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países, e deve ser fechado até o final deste ano. Fundada em 1969, a Embraer decolou no panorama internacional a partir de sua privatização, em 1994.

Agora, o nome “Embraer” sobreviverá nas áreas da Aviação Executiva e no segmento de Defesa e Segurança. Esses setores manterão a nomenclatura mundialmente reconhecida, mas terão unidades de produção fora do Vale do Paraíba: em Gavião Peixoto (SP), também nos Estados Unidos e em Portugal.

A princípio, a Boeing informou que descarta mudar os nomes do atual portfólio de aeronaves da Embraer, que batiza seus jatos comerciais como E-Jets (lançados em 1999) e os E-Jets E2 (segunda família, de 2013).

COMPETIÇÃO

Um novo capítulo na história da Embraer se abrirá quando o acordo com a Boeing for finalizado. As empresas apostam na fusão para competir no mercado cada vez mais complexo e competitivo da aviação comercial. E, ninguém menos do que um dos fundadores da Embraer, o engenheiro e coronel da Força Aérea da reserva Ozires Silva - 88 anos e ainda na ativa -, é um dos entusiastas do acordo comercial.

Para ele, a competição global justifica união das empresas, ainda mais depois que a Airbus, principal concorrente da Boeing, comprou parte majoritária da série de jatos regionais (CSeries) da Bombardier, maior concorrente da Embraer. “Precisamos prestar atenção sempre no mercado”, ensina Ozires. “Quando a Embraer foi privatizada, tinha certeza de que poderíamos conquistar o mercado, pela demanda crescente de transporte regional e pelos concorrentes.

Tinha convicção de que precisávamos de uma companhia brasileira, propriedadeintelectual brasileira e que pudéssemos exportar para todo o mundo”. Ainda segundo ele, o mercado mudou completamente. “A Airbus comprou nosso principal concorrente e é apoiada por quatro governos. Estão fazendo um avião de 158 lugares e estão chegando perto de nós. Isso surpreendeu a Embraer”.

Ainda na avaliação do engenheiro, a Airbus “enxergou o potencial da aviação regional, que vai aumentar muito. Os grandes aviões estão sendo retirados de serviço. O passageiro não quer ficar esperando embarque de dezenas de pessoas num mesmo avião”. Com isso, Ozires acredita que a Boeing “veio atrás de uma parceria e está atrás dos nossos aviões”.

Para ele, a associação “robustece bastante a Embraer”. Z MERCADO A Boeing prevê um mercado mundial de US$ 4,18 trilhões (cerca de R$ 15,7 trilhões) para novos aviões na próxima década, uma vez que até 2028 devem ser entregues mais de 35 mil aeronaves. Os aviões da Embraer poderiam concorrer em ao menos metade desse mercado, cujo valor em reais (R$ 16,3 trilhões) supera em 2,3 vezes o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2018, que foi de R$ 6,8 trilhões.

As aeronaves da fabricante brasileira se encaixariam no mercado para aviões de corredor único a partir de 90 assentos, cuja projeção da Boeing é de US$ 3,775 trilhões (R$ 14,7 trilhões) para uma demanda de 32.420 aeronaves. Os modelos E190 e E195 da Embraer e suas versões mais novas (E2) poderiam disputar essa categoria. Já o E175 e o E175 E2 concorreriam na categoria de jatos regionais para até 90 passageiros, mercado estimado em US$ 105 bilhões (R$ 409,5 bilhões) para a entrega de 2.240 aviões em 10 anos.

Na categoria de “cargueiro de fuselagem larga”, a disputa poderia incluir o KC-390 da Embraer, que também fará parte de uma joint venture com a Boeing, cuja divisão acionária ficará em 51% para Embraer e 49% para a fabricante americana. O mercado para esse tipo de aeronave deve demandar 1.040 aviões até 2028, com valor estimado em US$ 300 bilhões (R$ 1,1 trilhão).

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