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Documento da CIA revela que governo brasileiro concordava com execuções na ditadura

Por Agência Brasil |
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Ditadura
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Divulgado em maio do ano passado, memorando da agência de inteligência civil dos Estados Unidos, a CIA, mostra que os generais Ernesto Geisel, presidente do Brasil em 1974, e João Figueiredo, então diretor do SNI (Serviço Nacional de Informações), sabiam e concordaram com execução sumária de "inimigos" da ditadura militar no Brasil.

"O documento relata que o comando [das execuções e torturas] estava no Palácio do Planalto, como havia concluído a Comissão Nacional da Verdade, mas registra um diálogo de uma crueza que não se imaginava", diz Pedro Dallari, advogado e ex-presidente da Comissão Nacional da Verdade.

Ele chamou de "estarrecedor" trecho que cita resposta de Geisel a Figueiredo, dizendo que a execução de subversivos deveria continuar, mas que "muito cuidado deveria ser tomado para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados".

FALA.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, em Brasília, que documentos oficiais sobre mortos na ditadura militar são "balela" e que não pretende "mexer no passado". Perguntado por jornalistas se vai contestar a versão oficial da CNV (Comissão Nacional da Verdade) sobre a morte do advogado Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, Bolsonaro questionou o trabalho realizado pelo grupo.

"Você acredita em Comissão da Verdade? Foram sete pessoas indicadas pela Dilma [Rousseff, ex-presidente, que também foi presa durante a ditadura militar]. Não é contestar. Se gastou mais de R$ 5 bilhões, dinheiro público do povo que trabalha para dar para quem nunca trabalhou. Você acha justo que a gente tem que continuar? Eu não pretendo mexer no passado, eu pretendo respeitar a Lei da Anistia de 79", disse. "A questão de 64, não existem documentos de matou, não matou, isso aí é balela", continuou.

Relatório da CNV aponta que o corpo de Fernando Santa Cruz foi transportado da chamada Casa da Morte, um centro clandestino de tortura e assassinato, localizado em Petrópolis (RJ), para a Usina Cambahyba, no norte fluminense, local onde teria sido incinerado, junto com corpos de outros militantes políticos contrários ao governo militar. A informação estaria baseada no depoimento do ex-delegado do DOPS/ES, Cláudio Guerra, em 23 de julho de 2014.

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