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espírito está em 1º lugar, na visão de religioso

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Fazenda. Presidente Jair Bolsonaro durante visita à unidade em Guará. Ao lado, fábrica de água sanitária e acima mulheres na panificação da unidade feminina: fé e trabalho
Fazenda. Presidente Jair Bolsonaro durante visita à unidade em Guará. Ao lado, fábrica de água sanitária e acima mulheres na panificação da unidade feminina: fé e trabalho

Conversar com dependentes químicos é mergulhar no drama humano. O comum é a perda da dignidade, da identidade e de qualquer perspectiva de futuro.

No vício extremo, a vida perde o sentido. Não há sonho, só o próximo trago, a pedra seguinte, outra cheirada, o porre épico. As drogas retiram do ser humano a autoconsciência. O corpo urge o prazer imediato, que retirará todas as dores.

Mas elas voltam mais intensas e sombrias.

“Toda dependência é classificada como doença, há sinais e sintomas a identificar”, explica Patricia Minari, psicóloga de São José dos Campos e especialista em dependência química. “Como compulsão ou perda do controle, aumento da tolerância e síndrome de abstinência”.

Segundo a psiquiatra Márcia Gonçalves, professora e coordenadora de Psiquiatria, Psicopatologia e Psicologia Médica da Unitau (Universidade de Taubaté), há casos em que a dependência passa do limite de controle do indivíduo. “A vida do dependente já está em função do uso das drogas”.

Com o avanço do entendimento sobre a dependência, a pergunta a se fazer é: como eliminar o vício? O que é fundamental?

O franciscano de origem alemã Hans Stapel, um dos fundadores da Fazenda da Esperança em Guaratinguetá, uma das mais bem-sucedidas experiências de recuperação de dependentes no mundo, é taxativo: “Em primeiro lugar, a recuperação espiritual”.

Criada há 36 anos, hoje há 140 fazendas em 23 países, sendo 90 delas no Brasil, que ajudam mais de 3.500 pessoas, a maioria jovem, a deixar o vício da droga. O trabalho mereceu a visita do papa Bento 16, em maio de 2007, e uma mensagem do papa Francisco, em 2016. Em junho deste ano, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) conheceu o projeto em Guará.

Na ocasião, disse Frei Hans: “Deixem-nos ser como somos. Não tentem mudar e colocar normas”. Ele reclamava de eventuais obrigatoriedades em manter médicos e psicólogos nas fazendas, serviços que atende de forma pontual.

Para ele, a fé é o centro: “O problema dos dependentes é mais profundo, é espiritual. A droga é uma fuga. Vi como a palavra de Deus recuperava”.

Garantidas as avaliações médicas iniciais, afirmou Márcia Gonçalves, a fé e ciência coexistem na busca pela reabilitação, “cada uma dentro de seu momento, exercendo seus papéis. Quero acreditar que ambas estão a favor da evolução dos homens”.

Presidente da Comunidade Terapêutica Nova Esperança, com quatro unidades em São José, Dulce Paulino diz que a espiritualidade é parte da recuperação por fazer parte da vida. “Não colocamos crença, religião ou doutrina. Falamos de Deus, do amor e perdão”..

'Não tratamos o drogado, mas a pessoa', diz coordenadora

Natural de Sergipe e formada em matemática, Daniela Lima tornou-se voluntária da Fazenda da Esperança e viu nascer a vocação por seguir o trabalho na recuperação de dependentes. Em 2013, foi morar na fazenda de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, onde ficou por cinco anos e tornou-se responsável pela unidade. No começo de 2018, assumiu a fazenda feminina de Guaratinguetá e fez votos de pobreza, obediência e castidade, mantendo-se leiga. "Tinha o desejo de me casar, mas renunciei por amor a Deus e para viver esse amor a todos". Cuidando da unidade e de 60 mulheres, Daniela diz que foi conquistada pela espiritualidade da missão. "O carisma da esperança é o de acreditar sempre". Explica: "A gente não tratar o drogado, a prostituta. É a pessoa. Porque a essência é boa. Foi ser feliz na droga. Então é acreditar nessa essência".

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