O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, contestou a eficácia dos dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para medir o desmatamento da Amazônia.
Ele disse que os dados do Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), sistema que opera desde 2004, não devem ser usados para fazer comparações de um mês para o outro.
Em entrevista coletiva, o ministro não apontou erros nos dados do Inpe, mas disse que a interpretação das estatísticas foi feita “de maneira equivocada”.
Nesta quarta-feira, o ministro ouviu explicações de pesquisadores da área de OBT (Observação da Terra) do Inpe, grupo que cuida do monitoramento da Amazônia.
Salles disse que o volume real do desmatamento só pode ser apontado por outro sistema do Inpe, o Prodes (Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite), cujos dados são divulgados anualmente. Em 2019, devem sair no final de agosto.
O ministro ainda afirmou que vai lançar uma licitação para contratar uma empresa para melhorar a fiscalização do desmatamento.
“A avaliação que fazemos é de que precisa ter um sistema melhor de fiscalização. Para isso, vamos lançar a licitação para poder contratar”, disse.
INPE.
Após ter a reunião com os ministros Salles e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) adiada para esta sexta-feira, o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, rebateu as críticas do ministro do Meio Ambiente.
Segundo ele, os técnicos do instituto que participaram da reunião de quarta-feira conseguiram contra-argumentar os possíveis “erros” apresentados por Salles, com base no “trabalho desenvolvido pelo Inpe ao longo dos anos”.
Galvão ressaltou que, desde a implantação do Deter, em 2004, o desmatamento sofreu uma redução drástica. Ele admitiu que o sistema não deve ser usado para medir o desmatamento “mês a mês” e que uma análise completa do desmate poderá ser feita com os dados do Prodes, que devem consolidar os dados do Deter.
ALERTAS
Compilados pelo Deter, os dados de satélite sobre a Amazônia estão disponíveis gratuitamente na plataforma Terra Brasilis na internet, mantida pelo Inpe.
Eles mostram que, entre 1º e 31 de julho deste ano, os alertas de desmatamento atingiram a marca de 3.177 quilômetros quadrados, quase quatro vezes mais em comparação a julho do ano passado.
O balanço também mostra que julho de 2019 já teve a maior extensão de alertas desde agosto de 2015, dados mais antigos disponíveis na plataforma.