O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta sexta-feira que não ofendeu Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, quando disse, no começo da semana, que poderia esclarecer o desaparecimento do militante em 1974.
"O que que eu falei de mais para vocês [jornalistas]? Me respondam. O que eu tive conhecimento na época. Eu ofendi o pai dele? Não ofendi o pai dele. O que eu tive conhecimento na época, o assunto foi esse", declarou.
No mesmo dia da polêmica frase, Bolsonaro também afirmou, sem provas, que Fernando foi morto por militantes de esquerda em supostas desavenças internas do grupo.
O presidente da OAB acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) para cobrar esclarecimentos de Bolsonaro. Ontem, o ministro Luís Roberto Barroso deu um prazo de 15 dias para que o mandatário se explicasse "eventuais ambiguidades ou dubiedades dos termos utilizados".
"Não tenho essa obrigação [de responder ao STF], agora, é só transcrever o que eu falei para vocês [imprensa] aqui", declarou Bolsonaro nesta sexta-feira. No entanto, o presidente afirmou que enviará ao Supremo vídeos com as declarações junto às respectivas transcrições. "Mesmo não sendo obrigado, presto [esclarecimentos]. Não falei nada de mais, eu vou entregar o vídeo e vou fazer a degravação e mandar".
Bolsonaro completou dizendo que "a verdade dói, machuca" e que lamenta "todas as mortes dos dois lados", mas elas não teriam acontecido se grupos à época não quisessem implantar o comunismo no Brasil.