A hospedagem em condomínios residenciais por aplicativos, como o Airbnb, vem conquistando cada vez mais os brasileiros. De um lado, estão os anfitriões, que enxergam na atividade uma oportunidade de renda extra; de outro, os hóspedes, que podem desfrutar de uma estadia por um preço mais acessível. Mas a prática vem deixando síndicos de cabelo em pé.
Afinal, quando um morador aluga seu apartamento, ou parte dele, está compartilhando não apenas seu espaço, mas toda a área comum do prédio. O assunto é sério e está em alta. Uma pesquisa realizada pela Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo) mostrou que 64% dos empreendimentos que votam o assunto em assembleia decidem pela proibição da prática.
Quem utiliza aplicativos de locação de imóveis por temporada garante: é um bom investimento. “Alugo meu imóvel em Ilhabela e, quando viajo, me hospedo também pelo aplicativo”, afirmou a administradora de empresa Daiana Costa, 30 anos, que tem seu “Recanto da Jô”, no Airbnb. “Além do custo-benefício, ao alugar um imóvel, você tem mais privacidade do que em um hotel ou uma pousada; ainda é possível trocar experiências com outras pessoas, caso prefira um lugar compartilhado”, continuou.
Mas, se a prática tem ganhado força no fomento do turismo, condomínios residenciais por sua vez não estão satisfeitos com a atividade e o assunto vem ganhando relevância nas discussões em assembleias de edifícios residenciais. A falta de segurança é a principal queixa de moradores. Segundo José Roberto Graiche Junior, presidente da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), outros fatores também têm contribuído para tal proibição.
“Alegações que explicam o veto envolvem perturbação de sossego, falta de funcionários para receber os hóspedes, mau uso das áreas comuns e desrespeito a outras normas do regulamento interno”, ressaltou. Para João Santoro, diretor da Secovi (Sindicado de Habitação), de São José, empreendimentos precisam regulamentar a atividade.
“Os condomínios precisam estabelecer regras determinando o que é permitido ou não para os hóspedes. Por exemplo, o uso da piscina”, afirmou. “Proibir este tipo de serviço gera muita confusão dentro do prédio. A solução é criar regras que garanta a privacidade e a segurança dos condôminos”.
OUTRO LADO
A empresa Airbnb, uma das principais quando o assunto é locação por temporada, informou em nota que conta com uma série de ferramentas para ampliar a confiança dos usuários, tais como: criação de perfis detalhados, possibilidade de comentários apenas por quem usa a plataforma, sistema de comunicação on-line entre anfitrião e viajante antes de confirmar a reserva e uma estrutura segura de pagamentos.
“Quem anuncia seu espaço na plataforma pode solicitar que o hóspede envie antes uma cópia dos documentos de identidade para que fique na portaria do prédio, reforçando o compromisso com a segurança de todos. Também é orientado que o locador e o locatário conversem sobre as regras de convivência do condomínio”, conclui nota