Economia

'Tendência é Embraer ir para além do avião', diz chefe da Tecnologia

Por Xandu Alves@xandualves10 |
| Tempo de leitura: 3 min
Criação. Daniel Moczydlower, da área de Engenharia e Tecnologia
Criação. Daniel Moczydlower, da área de Engenharia e Tecnologia

Com sobrenome polonês difícil de pronunciar, Daniel Moczydlower, vice-presidente de Engenharia e Tecnologia da Embraer, é a cabeça pensante olhando para o futuro inovador da empresa.

Ele comanda uma "seleção brasileira" de variados profissionais envolvidos na criação de aviões e outros tantos projetos, que se tornarão cada vez mais diversificados com a venda da aviação comercial da Embraer para a Boeing.

A divisão da equipe de engenharia foi um dos principais desafios da transação, que deve estar concluída até o final do ano.

"O resultado foi muito bom. A gente conseguiu planejar de maneira que as duas empresas terão duas seleções na área de engenharia", conta Moczydlower.

Em entrevista exclusiva a OVALE, ele fala sobre o futuro da Embraer.

O que faz a engenharia?

Trabalha em todas as áreas da Embraer. Atende a aviação comercial, a executiva, a defesa e segurança e também dá suporte a outras empresas do grupo Embraer. Trabalhamos centralizados.

E com a venda?

A engenharia está sendo uma área das mais complexas, porque temos que separar de tal maneira que tanto a empresa de aviação comercial [Boeing Brasil Commercial] tenha total competência e capacidade de conduzir os projetos de aviação comercial, como a Embraer S.A que permanece com os negócios de aviação executiva, defesa e projetos de inovação disruptiva também tenha competência e conhecimento para desenvolver todo o ciclo de uma nova aeronave.

A separação foi difícil?

Foi um dos maiores desafios. O resultado final foi muito bom. A gente conseguiu planejar de maneira que as duas empresas terão duas seleções na área de engenharia.

E o futuro da Embraer?

Tem um futuro promissor em cima dos produtos que já estão em nosso portfólio, além das novas aeronaves [Praetor 600 e 500] que irão gerar muitos negócios para a companhia. Temos naturalmente toda uma área de inovação e novos negócios que temos olhado, para a qual a Embraer terá mais foco e energia para se concentrar nesse novo modelo.

Quais são essas áreas?

Na defesa, para além da Força Aérea, que sempre será nosso maior parceiro, temos desenvolvido soluções para atender a Marinha e o Exército, com sistemas importantes. Há o de vigilância de fronteira terrestre, fundamental para a segurança pública e ajudar o Exército a cumprir uma das suas missões mais importantes.

E na Marinha?

Somos parceiros no programa do submarino nuclear, por meio da Atech, que é controlada pela Embraer e está fazendo um sistema de controle do reator nuclear. A Embraer foi anunciada, juntamente com a thyssenkrupp, como ganhadora do programa de corvetas. Faremos todos os sistemas a bordo da embarcação, que é a parte mais valiosa. Estamos indo além da própria aeronave. É uma tendência.

Por quê?

O tipo de especialidade e de conhecimento tecnológico que a Embraer precisou desenvolver para atender a demanda aeronáutica a capacita a fornecer esses sistemas complexos para outras aplicações.

Em quais outras áreas?

O futuro da aviação vai estar ligado à eletrificação da propulsão e a sistemas com maior grau de automação. Temos feito muitos projetos de desenvolvimento de tecnologia nesse sentido.

E estamos trabalhando num projeto muito inovador que pode ter aplicação para mobilidade urbana, com transporte aéreo dentro de grandes cidades, que é o projeto com a Uber.

Como ficará a troca de conhecimento sem a aviação comercial?

É ponto importante da transação. Normalmente, os contratos de defesa permitem desenvolver novas tecnologias e transferi-las a outras áreas.

Na Embraer, isso ocorreu em todos os sentidos. Aprendido numa área, éramos capazes de transferir para outras. Com a transação aprovada, isso vai ter que mudar. Desenhamos o acordo de tal maneira que possa existir cooperação tecnológica entre as duas empresas e que elas possam desenvolver tecnologia em parceria.

É uma mitigação da separação e uma maneira de continuar trabalhando. Não faz sentido virar as costas.

Cada uma será a maior fornecedora de peças e partes para a outra. Uma depende muito do sucesso da outra e, nesse contexto, faz todo sentido que a gente coopere e desenvolva tecnologias em conjunto. Vai ter espaço para troca de conhecimento e avanço tecnológico..

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