Comportamento

Pressão: caso de Simone Biles abre forte discussão sobre saúde mental

Por Marcos Eduardo Carvalho |
| Tempo de leitura: 2 min
Simone Biles
Simone Biles

A ginasta norte-americana Simone Biles desistiu de disputar as finais por equipes da ginástica artística nos Jogos Olímpicos de Tóquio, por conta da forte pressão sofrida por resultados. Ela mostrou todo o esgotamento emocional causado pela forte pressão enfrentada por um atleta de alto rendimento na disputa.

Ela é só um exemplo da pressão que sofre qualquer pessoa no dia a dia. Mas, como conseguir lidar com isso?  

“Primeiro é super importante identificar de onde vem a sensação de estar sob pressão, qual é sua causa. O nosso sistema psicológico, junto ao nosso corpo, possui mecanismos de defesa para proteger nosso organismo e garantir seu funcionamento. Ambos respondem a fatores externos, ao ambiente e prepara o nosso corpo e nossa mente para agir. O importante é haver um equilíbrio dos fatores externos e internos”, disse o psicólogo Tiago Vilela, de São José dos Campos.

Segundo ele, a psicoterapia, por exemplo, é uma forma de trabalhar a ansiedade. “Manter atividades físicas de forma regular, exercícios de respiração, meditação, incluir em nossa rotina semanal atividades que nos dão prazer, de lazer, descontração, atividades artísticas, focar numa atividade só por vez são técnicas simples que ajudam”, disse.

Para Tiago, que também é músico, esta também é uma poderosíssima aliada. “Há estudos que revelam o impacto positivo de se escutar uma canção, de cantar, de tocar um instrumento”,

Sobre o caso da ginasta, o psicólogo lembra que provavelmente a Simone entrou numa fase de pré-staff. “Treinos intensos, cobranças intensas e, sobretudo, uma grande expectativa não só dela mesma, mas do mundo inteiro”, disse.

EQUILÍBRIO.

A também psicóloga Thaís Ribeiro Santos, de São José dos Campos, ressalta que o equilíbrio é essencial para suportar as pressões do dia a dia.

“É preciso muito cuidado e equilíbrio entre mente e corpo. Mas se existe um segredo para suportar a pressão no trabalho, isso depende de cada um. Entendo que cada ser humano é único, possui os seus limites”, disse.

“A pressão está presente em nossas vivências, assim como no esporte que é por si só competitivo. O que varia é a sua intensidade, quanta cobrança existe em cima daquela pessoa, tanto da parte dos outros quanto de si mesmo. Caso não exista satisfação ao fazer o que era prazeroso, este deve ser um sinal para olhar para si com mais cautela”, afirmou Thaís.

No caso de Simone especificamente, a psicológica entente que foi uma atitude “exemplar”.

“Além de tirar a ideia e o peso da perfeição, o acontecimento nos convida a refletir sobre nossas limitações, que podemos e devemos respeitá-las, e sobre o cuidado com a saúde mental. O acompanhamento psicológico é de extrema importância”, finalizou.

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